Mudança na dieta de abelhas indica a fase de desenvolvimento de suas colônias
As espécies Vespula vulgaris e Vespula germanica buscam proteínas até agosto para alimentar larvas e, no fim do verão, passam a procurar açúcares. A dieta das operárias adultas é limitada a líquidos e a transição alimentar pode variar conforme o clima e a disponibilidade de presas
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A coexistência com as abelhas durante o verão no hemisfério norte exige a compreensão de seus ciclos biológicos, especialmente no que diz respeito à alimentação. Espécies como a Vespula vulgaris (abelha comum) e a Vespula germanica (abelha alemã) frequentemente se aproximam de refeições humanas, mas seu comportamento varia conforme a necessidade da colônia.
A dinâmica alimentar e o ciclo da colônia
A preferência dessas abelhas por diferentes tipos de nutrientes é ditada pelo estágio de desenvolvimento do enxame. No início e meados do verão, a demanda por proteínas é predominante. Isso ocorre porque as larvas são carnívoras e dependem de nutrientes provenientes de insetos e carniça para crescer.
Quando as operárias buscam alimentos como presunto ou outras fontes proteicas em piqueniques, isso indica que a colônia possui um grande número de larvas em fase de crescimento. Esse comportamento é comum até o final de agosto.
A partir do final do verão, a dinâmica muda. A maioria das larvas se transforma em crisálidas, fase em que a necessidade de alimentação cessa. Com a redução da demanda por proteína, as secreções nutritivas que as larvas forneciam às operárias também diminuem, forçando as abelhas adultas a buscar açúcares em flores, limonadas ou geleias. A obsessão por alimentos doces é, portanto, um sinal de que a colônia está na fase final de seu ciclo de vida.
Anatomia e comportamento de recrutamento
A estrutura física da abelha adulta apresenta um pecíolo — uma constrição entre o tórax e o abdômen. Essa característica evolutiva permite que o inseto dobre o abdômen para paralisar ou parasitar presas, mas impõe uma limitação dietética: a operária adulta consegue ingerir praticamente apenas líquidos.
Diferente das abelhas melíferas, que utilizam a "dança da abelha" para recrutar coletoras para flores específicas, as abelhas sociais de espécies como a Vespula possuem um sistema de recrutamento menos eficiente. Como a comida de que se alimentam (insetos e carniça) é um recurso escasso e efêmero, não há vantagem evolutiva em atrair um enxame inteiro para um único ponto.
A presença de várias abelhas em um local de alimentação geralmente ocorre por acaso ou porque a colônia está próxima. O comportamento de investigação é estimulado pela presença de outros indivíduos da mesma espécie; contudo, se o grupo for excessivamente numeroso, a abelha tende a se afastar.
Impacto ecológico e variáveis externas
Além de polinizadoras, essas abelhas atuam como controladoras de pragas, regulando populações de pulgões, lagartas, aranhas e moscas.
Embora a época do ano seja o principal indicador da transição entre a busca por proteínas e açúcares, outros fatores podem alterar esse cronograma, tais como:
- Condições climáticas;
- Disponibilidade de presas no ambiente;
- Competição local;
- Ritmo de crescimento da colônia.
Devido a essas variáveis, a mudança de preferência alimentar entre um ano e outro pode ocorrer em datas distintas.