Ciência

NASA estuda lago na Antártida com alta salinidade para analisar possíveis condições em Marte

18 de Maio de 2026 às 12:35

A NASA estuda o lago Don Juan, na Antártida, para analisar a permanência de água líquida a -58 °C. A formação possui salinidade superior a 40% devido ao cloreto de cálcio, servindo como análogo para ambientes em Marte

NASA estuda lago na Antártida com alta salinidade para analisar possíveis condições em Marte
Observatorio de la Tierra de la NASA

A NASA investiga os Vales Secos de McMurdo, na Antártida, para compreender a existência de água líquida em condições extremas, utilizando a região como análogo para o estudo de ambientes em Marte. O foco das análises é o lago Don Juan, uma formação que permanece em estado líquido mesmo sob temperaturas de -58 °C.

A estabilidade da água nesse cenário hostil decorre de sua composição química. Com profundidade de apenas 10 centímetros e extensão inferior a seis campos de futebol, a lagoa apresenta salinidade superior a 40%, superando a concentração do Mar Morto (34%) e sendo doze vezes mais salgada que a média dos oceanos terrestres (3,5%). A alta densidade do líquido, comparável a um xarope, é resultado da presença de cloreto de cálcio, sal solúvel que impede a formação de cristais de gelo.

Identificado em 1961 pelos pilotos da Marinha dos EUA, Donald Roe e John Hickey, o lago Don Juan é a única formação com essas características na região. Para a astrobiologia, a área é um laboratório natural, pois combina frio intenso, aridez e a presença de sais com indícios de vida microbiana, mimetizando as condições do planeta vermelho.

A origem dessa água ainda é discutida academicamente. Em 2013, a Brown University propôs que sais do solo capturam a umidade atmosférica e a deslocam para a lagoa. Já em 2017, surgiu a hipótese de que a composição química do local derive de um sistema de águas subterrâneas. De acordo com o astrobiólogo Jonathan Toner, da University of Washington, a validação dessa teoria indicaria a existência de um aquífero extenso.

A confirmação de que salmouras hipersalinas podem persistir em condições tão severas fornece à ciência um modelo terrestre para prever o comportamento de substâncias semelhantes em Marte, onde a presença de água líquida é inicialmente improvável.

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