Parque eólico flutuante em Portugal atrai centenas de espécies marinhas e aves own
A usina eólica marinha WindFloat Atlantic, em Portugal, atraiu 272 espécies marinhas e 33 tipos de aves. O complexo produziu 345 GWh até março de 2025, fornecendo energia para cerca de 25 mil residências. Pescadores locais contestam os dados ambientais e alegam prejuízos devido à restrição de acesso às áreas de pesca
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A instalação eólica marinha WindFloat Atlantic, situada a 20 quilômetros da costa de Viana do Castelo, no norte de Portugal, transformou-se em um refúgio para a biodiversidade marinha. O complexo, composto por três plataformas flutuantes e semi-submersíveis em águas com profundidade entre 95 e 100 metros, promoveu a colonização de substratos sólidos em uma região anteriormente dominada por fundos arenosos. Esse processo atraiu 272 espécies, incluindo polvos, peixes cartilaginosos, raias e tubarões, que encontraram nas estruturas metálicas e correntes de ancoragem abrigo e alimento.
Um estudo abrangente, apresentado no WindEurope Annual Event 2026, revelou que as cavidades submersas funcionam como oásis para a fauna. Organismos filtradores, como anêmonas, percebes e mexilhões, estabeleceram uma comunidade bentônica que atraiu predadores do topo da cadeia alimentar. Polvos, especificamente, passaram a utilizar os recantos das plataformas para a proteção de ovos e emboscadas de presas. A biomassa de invertebrados e peixes dentro da área dos aerogeradores é significativamente superior à de zonas externas de controle, sem que espécies sensíveis a campos eletromagnéticos tenham alterado seu comportamento.
A atividade biológica estende-se à superfície e ao ar. Houve um aumento na presença de golfinhos comuns, além de registros de orcas, baleias minke e tubarões-brancos. No ambiente aéreo, a fase operacional registrou 33 espécies de aves, superando as 17 identificadas antes da instalação, além da detecção de três espécies de morcegos. Embora albatros e gaivotas corram risco de colisão com as pás, as espécies ameaçadas da região voam em altitudes baixas, permanecendo fora do alcance das turbinas.
Do ponto de vista energético, a usina, que opera comercialmente desde setembro de 2020 e foi conectada à rede em dezembro de 2019, acumulou uma produção de 345 gigawatts hora (GWh) até março de 2025. Com potência instalada de 25 megawatts, o projeto fornece energia limpa para aproximadamente 25.000 residências, evitando a emissão anual de mais de 33.000 toneladas de dióxido de carbono.
O monitoramento ambiental, conduzido pela Ocean Winds com apoio da consultoria Blue Grid, do Instituto Politécnico de Leiria e do Centro de Ciências do Mar da Universidade de Lisboa, iniciou-se em 2018. A Universidade de Lisboa observa que a diferença biológica entre o interior e o exterior do parque ocorre, em parte, devido à criação de uma zona de exclusão involuntária, já que a pesca de arrasto e outras atividades industriais foram interrompidas na área.
Essa dinâmica gerou conflitos com a comunidade pesqueira local. A associação VianaPesca e grupos de armadores de Viana do Castelo contestam os dados do relatório, alegando que a restrição ao acesso às áreas de pesca tradicionais prejudica a categoria sem a devida compensação. Pescadores relataram, há dois anos, o desaparecimento de espécies de valor comercial, como garoupa e tainha, em um raio de uma milha náutica das turbinas. O setor agora pleiteia estudos independentes sobre as vibrações e o ruído antropogênico causados pela manutenção da infraestrutura.
O caso WindFloat Atlantic serve como referência para a expansão da eólica marinha na União Europeia. Enquanto a Espanha implementa Planos de Ordenação do Espaço Marítimo (POEM) para projetos no Mediterrâneo e nas Ilhas Canárias, o Instituto Español de Oceanografía recomenda cautela. A instituição alerta que cada ecossistema reage de forma distinta e que as estruturas podem atrair espécies exóticas invasoras, sendo que sete tipos já foram identificados nas paredes do parque português.