Ciência

Pedra central do Stonehenge não veio do País de Gales como se pensava há décadas

09 de Março de 2026 às 18:10

Pedra central do Stonehenge tem origem escocesa, não galesa como se pensava. A análise geológica da Pedra do Altar indicou a Bacia Orcadiana no nordeste da Escócia como sua fonte. O transporte de cerca de 6 toneladas por mais de 750 quilômetros é considerado uma organização social complexa pelos pesquisadores

Pedra central do Stonehenge desafia crenças estabelecidas com origem escocesa, revelando redes neolíticas complexas de transporte

Um estudo publicado na revista científica Nature em agosto de 2024 mudou radicalmente o entendimento sobre a origem da Pedra do Altar, uma das pedras mais importantes do monumento megalítico Stonehenge. A análise geológica realizada por Anthony Clarke e sua equipe revelou que a rocha não veio do País de Gales como se pensava há décadas, mas sim da Bacia Orcadiana no nordeste da Escócia.

A Pedra do Altar é um grande bloco retangular de arenito cinza-esverdeado com cerca de 5 metros de comprimento e pesando aproximadamente 6 toneladas. Ela está localizada no centro do Stonehenge, próximo às chamadas bluestones menores que vieram das Colinas Preseli no sudoeste do País de Gales.

A descoberta foi possível graças à aplicação da técnica geocronologia de grãos detríticos. Ao analisar os minerais individuais que compõem o arenito, os cientistas conseguiram criar uma espécie de "impressão digital geológica" da rocha e compará-la com formações rochosas conhecidas em diferentes regiões.

Os resultados revelaram uma combinação extremamente específica de idades entre 1 e 2 bilhões de anos, enquanto outros minerais indicavam cerca de 450 milhões de anos. Essa combinação geológica é característica da Bacia Orcadiana no nordeste da Escócia.

A Pedra do Altar foi transportada até Stonehenge entre aproximadamente 2620 a.C. e 2480 a.C., durante o Neolítico tardio, quando a Grã-Bretanha não possuía cidades, sistemas de escrita ou metalurgia avançada. O transporte por terra seria extremamente difícil, considerando as condições geográficas da época.

Os pesquisadores defendem que a pedra foi transportada por via marítima, em embarcações neolíticas ao longo da costa leste da Grã-Bretanha. A rocha teria sido carregada por mar desde o nordeste da Escócia até o sul da Inglaterra e depois transportada por terra por cerca de 160 quilômetros até a planície de Salisbury.

A descoberta tem implicações muito maiores do que simplesmente determinar a origem de uma rocha. O professor Chris Kirkland, coautor do estudo pela Curtin University, destacou que transportar um bloco de seis toneladas por centenas de quilômetros exige uma organização social muito mais complexa do que se imaginava.

Os próximos estudos deverão concentrar esforços no nordeste da Escócia para identificar o local exato de extração da rocha e revelar ainda mais detalhes sobre como povos neolíticos conseguiram transportar uma pedra de seis toneladas por mais de 750 quilômetros há cerca de 4.500 anos.

A descoberta também mostra como avanços tecnológicos podem transformar completamente o entendimento de monumentos estudados há séculos, desafiando crenças estabelecidas e revelando redes neolíticas complexas de transporte que desconheciam até agora.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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