Ciência

Península Ibérica terá eclipse solar total no dia 12 de agosto após mais de um século

22 de Julho de 2026 às 06:56

A Península Ibérica terá um eclipse solar total em 12 de agosto, fenômeno inexistente na região desde 1912. A zona de totalidade na Espanha passará por cidades como A Coruña, Oviedo, León, Bilbao, Zaragoza e Valência. A observação segura requer óculos homologados ISO 12312-2:2015

A Península Ibérica se prepara para um evento astronômico raro: no dia 12 de agosto, a região testemunhará um eclipse solar total, fenômeno que não ocorre no país desde 17 de abril de 1912. O evento acontece quando a Lua se posiciona exatamente entre a Terra e o Sol, bloqueando a luz solar. Devido a uma coincidência de perspectiva, a Lua (que é 400 vezes menor que o Sol) consegue cobrir completamente o astro-rei.

Dinâmica do fenômeno e visibilidade

O eclipse total ocorre apenas na zona de umbra, onde a escuridão é completa e a coroa solar se torna visível. Já na região de penumbra, o fenômeno é observado de forma parcial. Esse alinhamento perfeito é raro porque a órbita da Lua possui uma inclinação de 5 graus em relação à órbita terrestre, exigindo que a Lua nova coincida com os chamados nodos (pontos de interseção das órbitas).

Na Espanha, a zona de totalidade atravessará o país de oeste a leste, abrangendo cidades como A Coruña, Oviedo, León, Bilbao, Zaragoza e Valência, estendendo-se até Palma de Mallorca. Em locais como Madrid e Barcelona, a cobertura será de 99% ou mais, mas não haverá escuridão total.

A duração da totalidade variará conforme a localidade:

  • Oviedo: quase 1 minuto e 50 segundos.
  • A Coruña: 76 segundos (início às 19:31, máximo às 20:28 e término às 21:22).
  • Palma: 1 minuto e 36 segundos (início às 19:38, máximo às 20:32).

Para quem estiver fora da zona de totalidade, o eclipse parcial ainda será visível. Em Madrid, o evento ocorre entre 19:37 e 21:24; em Murcia, de 19:41 a 21:27; e em Badajoz, de 19:39 a 21:28.

Impactos ambientais e biológicos

A redução súbita de luz e a alteração na radiação podem provocar mudanças atmosféricas, como a dissipação rápida de nuvens baixas, queda na temperatura da superfície e alterações na direção e intensidade dos ventos.

O comportamento animal também é afetado. Observa-se que peixes nadam menos, vacas retornam aos estábulos e insetos diurnos reduzem a atividade, enquanto espécies noturnas, como os grilos, podem se ativar durante a escuridão.

Riscos à saúde ocular e equipamentos

A observação direta do Sol, mesmo durante o eclipse ou com óculos de sol comuns, é perigosa. A radiação ultravioleta (UV) do tipo B pode causar fotoqueratite (inflamação ocular), enquanto a do tipo A pode acelerar a catarata e a degeneração macular associada à idade (DMAE). Já a radiação infravermelha pode causar retinopatia solar, superaquecendo a retina sem que a pessoa sinta dor imediata, resultando em danos irreversíveis na visão.

A única forma segura de observação é através de óculos homologados ISO 12312-2:2015. Recomenda-se:

  • Colocar os óculos antes de olhar para o céu.
  • Utilizá-los por períodos curtos (máximo 30 segundos), com pausas longas.
  • Removê-los apenas durante os segundos de totalidade absoluta.

Quanto aos dispositivos eletrônicos, sensores de câmeras de celulares podem queimar devido à intensidade da luz se expostos por muito tempo sem filtros. Para câmeras profissionais, é indispensável o uso de filtros solares específicos (mylar aluminizado, revestimento metálico ou polímero preto).

Logística e segurança viária

O evento gera um impacto social significativo, especialmente por coincidir com as férias de verão. Em 2026, a demanda por hospedagem em cidades beneficiadas já causou a quadruplicação de preços em hotéis e casas rurais, com reservas feitas com até dois anos de antecedência em locais como Soria e Teruel.

A movimentação massiva de pessoas aumenta o risco de congestionamentos e acidentes. Dados de um estudo sobre o eclipse de 2017 nos Estados Unidos indicaram um aumento no risco de colisões, com a média de um acidente a cada 25 minutos e uma morte a cada 95 minutos.

Para mitigar esses riscos, a Direção Geral de Trânsito implementou um operativo especial em sete comunidades, incluindo:

  • Restrições temporárias para veículos pesados.
  • Criação de rotas alternativas e áreas de estacionamento.
  • Disponibilização de mais de 350 pontos de observação oficiais.

Perspectivas futuras

Além da Espanha, a totalidade será visível em partes da Islândia (incluindo Reikiavik), Groenlândia, norte da Sibéria e uma pequena faixa do noroeste de Portugal.

Este evento inicia uma sequência astronômica na região. No dia 2 de agosto de 2027, outro eclipse solar total atravessará o extremo sul da Península Ibérica, com a faixa de totalidade cobrindo cidades como Cádiz, Málaga e Melilla.

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