Ciência

Pesquisadores descobrem a maior e mais profunda concentração de fósseis de baleias no Oceano Índico

10 de Junho de 2026 às 12:15

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências localizaram na Zona Diamantina, no Oceano Índico, a maior concentração de fósseis e carcaças de baleias já registrada. O depósito submarino abrange 1.200 quilômetros, com profundidades entre 4.625 e 6.789 metros e registros que datam de 5,3 milhões de anos. O levantamento identificou 485 locais com restos de cetáceos, incluindo a nova espécie extinta *Pterocetus diamantinae

Pesquisadores descobrem a maior e mais profunda concentração de fósseis de baleias no Oceano Índico
Global TREnD/IDSSE/Divulgação

Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências identificaram a maior e mais profunda concentração de fósseis e carcaças de baleias já registrada, localizada na Zona Diamantina, região do Oceano Índico situada entre a Austrália e a Antártida. A necrópole submarina estende-se por aproximadamente 1.200 quilômetros e revela a história evolutiva desses mamíferos ao longo de 5,3 milhões de anos.

O levantamento, publicado na revista *Nature*, documentou 485 locais com restos de cetáceos, incluindo cinco "quedas de baleias" ativas. Esse fenômeno ocorre quando carcaças afundam até o leito oceânico, transformando-se em oásis biológicos que sustentam comunidades em ambientes com escassez de alimento. Nessas áreas, situadas entre 4.625 e 6.789 metros de profundidade, foram encontrados 35 grupos de macrofauna, compostos por bactérias que geram energia via processos químicos, moluscos, estrelas-serpente e vermes que perfuram ossos. A descoberta amplia em mais de 2.500 metros o limite de profundidade conhecido para esse tipo de habitat e indica a presença de diversas espécies possivelmente novas para a ciência.

A análise da composição isotópica de 33 fósseis datou os remanescentes entre 120 mil e 5,26 milhões de anos. O registro mais antigo pertence a uma baleia-bicuda extinta do gênero *Pterocetus*, evidenciando que a deposição de carcaças na região ocorre desde o início do Plioceno, período de clima global mais quente. Entre os achados, destaca-se a *Pterocetus diamantinae*, uma nova espécie de baleia-bicuda extinta, identificada por meio de parte do crânio recuperado a quase 6.900 metros de profundidade. A coexistência de fósseis de espécies modernas e extintas sugere uma continuidade ecológica prolongada no Oceano Índico.

A formação desse depósito massivo é atribuída a fatores geológicos e topográficos. A configuração da região em forma de vale atua como uma armadilha natural para as carcaças, enquanto a baixa taxa de sedimentação permite que os ossos permaneçam expostos e preservados por milhões de anos.

Para a ciência, a necrópole funciona como um arquivo natural raro, especialmente para as baleias-bicudas, animais raramente observados vivos. Além disso, as quedas de baleias podem servir como pontos de conexão que permitem a dispersão de organismos especializados entre habitats extremos, como as exsudações frias e as fontes hidrotermais do fundo do mar.

Os dados foram coletados entre fevereiro e março de 2023, durante 32 mergulhos realizados com o submarino tripulado Fendouzhe. A operação combinou técnicas de genética, ecologia e paleontologia, com a coleta de amostras biológicas, anatômicas e geoquímicas em profundidades de até 7.000 metros.

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