Pesquisadores identificam que meteorito causador da extinção dos dinossauros era de uma rocha espacial rara
Pesquisadores identificaram que o objeto espacial responsável pela extinção em massa há 66 milhões de anos era uma condrita carbonácea (CO). O estudo, publicado na Science Advances, indica que a poeira lançada na estratosfera, e não o enxofre, causou o bloqueio da luz solar. O meteorito de Chicxulub teria origem em regiões do sistema solar externo
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Uma análise avançada de isótopos de níquel permitiu a pesquisadores internacionais identificar a composição do objeto espacial responsável pela extinção em massa ocorrida há cerca de 66 milhões de anos, no período Cretáceo-Paleógeno. O estudo, publicado na Science Advances, indica que o impacto foi causado por uma condrita carbonácea (CO), um tipo de rocha espacial excepcionalmente raro.
O meteorito, batizado de Chicxulub em referência à localidade na península de Yucatán, no México, possuía um diâmetro estimado entre 10 e 15 km. A colisão resultou em um cráter de 180 km de largura e na formação de diversos cenotes — poços de calcário preenchidos por água. O evento eliminou aproximadamente três quartos das espécies de plantas e animais da Terra, incluindo os dinossauros.
Composição e origem do impacto
Para determinar a natureza do objeto, Georgy V. Makhatadze, do Institut de Physique du Globe, e sua equipe realizaram medições de alta precisão em amostras de argila formadas após o impacto, coletadas em diversos pontos do planeta ao longo de anos. O trabalho contou com a colaboração de especialistas da Vrije Universiteit Brussel (VUB), da Universidade de Columbia Britânica (UBC) e da Universidade de Viena.
Ao comparar os isótopos de níquel dessas amostras com meteoritos recuperados na Terra em décadas de pesquisa, os cientistas concluíram que a rocha era uma condrita CO. Esse material provavelmente se originou em regiões do sistema solar externo, como o cinturão de Kuiper, a região externa do cinturão principal de asteroides ou outras áreas ricas em detritos.
As condritas carbonáceas representam apenas 5% dos meteoritos encontrados na Terra, e a classe Ornans (condritas CO) é ainda mais rara, sendo considerada um dos objetos mais primitivos e menos estudados do sistema solar.
Impactos atmosféricos e defesa planetária
A identificação da classe Ornans traz novas perspectivas sobre a devastação global. Philippe Claeys, professor visitante na UBC, explica que esse tipo de condrita possui uma quantidade significativamente menor de elementos voláteis, como água, zinco, carbono e, especialmente, enxofre, quando comparada a outras classes de meteoritos.
Essa característica sugere que o enxofre não teria sido o fator determinante na extinção. Em vez disso, a poeira fina lançada na estratosfera teria sido o elemento principal para bloquear a luz solar, desencadeando um cenário de inverno nuclear.
A determinação da origem e composição do meteorito de Chicxulub reduz as incertezas sobre o evento e fornece dados que podem ser aplicados em estratégias de defesa planetária para prever e mitigar futuros impactos de grandes objetos espaciais.