Pesquisadores localizam e analisam sete de doze embarcações naufragadas na região da Baixada Santista
Pesquisadores localizaram sete de 12 embarcações naufragadas na Baixada Santista, incluindo o veleiro argentino Casador e o cargueiro inglês Questrel. Em Ilhabela, o navio de pesquisa Professor Besnard passará por recuperação emergencial e restauração após tombar no mês passado. O Porto das Naus, em São Vicente, também apresenta vestígios de canhões
A Baixada Santista abriga um registro submerso de 12 embarcações naufragadas, das quais sete já foram localizadas e analisadas por pesquisadores. Esses destroços, distribuídos pelo canal do porto de Santos e áreas costeiras, funcionam como arquivos físicos que permitem a reconstrução de rotas, acidentes e a evolução da navegação e da ciência no litoral paulista.
Entre os achados de maior relevância histórica está o Casador, um veleiro de carga argentino que naufragou em 1828 durante o transporte entre Argentina e Brasil. O acidente não resultou em mortes e, devido à baixa profundidade onde a estrutura se encontra, o navio permanece preservado, facilitando estudos detalhados por ser um dos exemplares mais antigos da região.
A arqueologia local também identifica vestígios significativos no Porto das Naus, em São Vicente. A descoberta de canhões e outros elementos remete a períodos remotos da ocupação costeira e da circulação marítima brasileira, evidenciando a profundidade temporal da ocupação da área.
No cenário urbano de Santos, o cargueiro inglês Questrel, construído em 1895, tornou-se um marco visual. A embarcação encalhou na praia do Boqueirão após uma tempestade e, devido ao ciclo das marés, ressurge periodicamente na areia, integrando-se à paisagem cotidiana da orla.
No campo da ciência, destaca-se o Professor Besnard. Construído na Noruega em 1967 a partir de um projeto de um professor de oceanografia da USP, o navio foi a única embarcação de pesquisa oceanográfica não militar a atuar na costa brasileira por 50 anos, incluindo a realização de uma expedição à Antártica em 1987. Após um incêndio em 2016, a embarcação foi doada à prefeitura de Ilhabela em 2019 para ser convertida em museu. Contudo, no mês passado, o navio tombou após encher-se de água durante fortes chuvas. Para evitar a perda definitiva desse patrimônio científico, o Professor Besnard passará por uma recuperação emergencial para flutuar e, posteriormente, será rebocado a um estaleiro para restauração.