Ciência

Prótese cerebral que estimula o córtex visual é implantada com sucesso em terceiro paciente cego

11 de Maio de 2026 às 06:14

O Rush University Medical Center implantou a prótese visual cerebral Intracortical Visual Prosthesis em um terceiro paciente cego. O dispositivo utiliza 34 módulos sem fio com 544 eletrodos para estimular diretamente o córtex visual. O estudo monitorará a segurança e a eficácia do sistema por até três anos

Prótese cerebral que estimula o córtex visual é implantada com sucesso em terceiro paciente cego
Pixabay

Um novo sistema de prótese visual cerebral, denominado Intracortical Visual Prosthesis (ICVP), foi implantado com sucesso em um terceiro paciente cego durante um ensaio clínico realizado no Rush University Medical Center, nos Estados Unidos. Diferente de tecnologias que atuam na retina ou no nervo óptico, este dispositivo ignora as estruturas oculares e estimula diretamente o córtex visual do cérebro.

O procedimento consistiu na instalação de 34 módulos sem fio, que somam 544 eletrodos, em um indivíduo com cegueira profunda. Esses componentes emitem impulsos elétricos controlados em áreas específicas do cérebro para gerar padrões de visão artificial. O objetivo é que esses sinais permitam ao paciente reconhecer elementos básicos do ambiente e recuperar a capacidade de orientação.

Desenvolvido pelo Illinois Institute of Technology em parceria com a University of Chicago, o Johns Hopkins University Wilmer Eye Institute e outras entidades científicas, o projeto avançou para a fase de testes em humanos após anos de pesquisas pré-clínicas. O foco atual é validar a estabilidade, a segurança e a utilidade prática do sistema.

O neurocirurgião Sepehr Sani, responsável pela cirurgia, indicou que a conclusão desta terceira implantação é um passo fundamental para viabilizar a tecnologia como uma opção para quem possui perda visual severa. A repetição do processo em diferentes pacientes sugere a possibilidade de uma aplicação futura em escala mais ampla.

Após quatro semanas de recuperação, o paciente iniciará um treinamento no Hilton Center for Prosthetic Research, da The Chicago Lighthouse. Durante essa etapa, será avaliado se os estímulos visuais gerados pelo implante podem ser interpretados de forma a realizar tarefas guiadas. Janet P. Szlyk, diretora executiva da instituição, ressaltou que a percepção de pequenas quantidades de luz pode alterar significativamente a rotina de pessoas completamente cegas.

O estudo prevê o acompanhamento dos participantes por um período de um a três anos para monitorar a adaptação orgânica, a segurança a longo prazo e a eficácia real do implante cerebral sem fio.

Com informações de El Confidencial

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