Ciência

Recuo do gelo na Noruega revela armadilhas de pesca construídas há 7 mil anos

20 de Julho de 2026 às 10:52

Armadilhas de pesca de madeira de 7 mil anos foram encontradas no lago Tesse, no sul da Noruega. Pesquisadores da Universidade de Oslo identificaram que grupos do Mesolítico escandinavo introduziam a truta comum em águas elevadas para garantir alimento

Recuo do gelo na Noruega revela armadilhas de pesca construídas há 7 mil anos
Antiquity

O recuo do gelo nas montanhas do sul da Noruega revelou armadilhas de pesca de madeira construídas há aproximadamente 7.000 anos. O estudo, publicado na revista Antiquity, identificou que essas estruturas eram utilizadas por volta de 5.000 a.C., evidenciando que comunidades do Mesolítico escandinavo já manipulavam ecossistemas de alta altitude para garantir a sobrevivência.

Intervenção ambiental no lago Tesse

Os vestígios foram localizados no lago Tesse, região onde barreiras naturais, como cachoeiras, impediam que os peixes migrassem espontaneamente para as águas mais elevadas. A análise dos postes de madeira preservados demonstrou que os habitantes locais superaram esses obstáculos naturais para explorar as populações aquícolas.

Para datar as peças, a equipe de pesquisa da Universidade de Oslo, coordenada por Axel Mjærum, aplicou análises de radiocarbono. Os dados confirmaram que a atividade ocorreu em um período anterior à chegada da agricultura, quando a população era composta por grupos de caçadores, pescadores e coletores.

A introdução deliberada de espécies

A descoberta indica que esses grupos transportavam e introduziam a truta comum em lagos onde a espécie não existia naturalmente. A escolha desse peixe foi estratégica, pois a espécie oferece alto valor calórico, atinge tamanhos expressivos e pode ser capturada com facilidade por meio de estruturas fixas.

Essa prática permitia que as comunidades tivessem uma fonte de alimento estável e previsível durante a permanência nas montanhas, reduzindo a dependência exclusiva dos ecossistemas acessíveis de forma natural.

Impacto histórico e ecológico

O achado altera a compreensão sobre a modificação planejada do meio ambiente, revelando que a intervenção humana nos ecossistemas não começou com as sociedades agrícolas. A introdução de peixes no Mesolítico é interpretada como uma forma precoce de produção de alimentos.

Essa ação milenar gerou efeitos permanentes na biodiversidade da região. As populações de trutas capturadas por pescadores modernos nas montanhas norueguesas são descendentes dos exemplares transportados por humanos há milhares de anos, comprovando a capacidade de remodelagem ambiental muito antes do advento do Neolítico.

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