Satélites da NASA detectam mancha verde causada por excesso de nutrientes em represa sul-africana
Imagens da NASA detectaram hipereutrofização na represa de Hartbeespoort, na África do Sul, causada pelo excesso de nutrientes vindos de áreas agrícolas e campos de golfe. A proliferação de algas e plantas invasoras reduziu o oxigênio da água, provocando a morte em massa de peixes. A qualidade do reservatório compromete a saúde pública e exige a remoção de toxinas para o consumo humano
Imagens de satélite do Observatório da Terra da NASA revelaram a presença de uma extensa mancha verde na superfície da represa de Hartbeespoort, reservatório situado a 40 quilômetros de Pretória, na África do Sul. O registro evidencia um estado de hipereutrofização, processo caracterizado pelo excesso de nutrientes como fósforo e nitrogênio, que provoca a proliferação descontrolada de cianobactérias, algas e plantas aquáticas.
A massa vegetal observada inclui espécies invasoras, como a *Salvinia minima* e a *Pontederia crassipes*. Essas plantas formam camadas densas que bloqueiam a entrada de luz solar e prejudicam a oxigenação e a circulação da água. Bridget Seegers, cientista do Centro Espacial Goddard, compara a situação ao efeito de fertilizantes em excesso em um jardim, onde o estímulo biológico desmedido acaba por danificar o ecossistema.
Essa degradação ambiental resulta na criação de zonas mortas, áreas com níveis de oxigênio tão baixos que tornam a sobrevivência de animais aquáticos inviável. A falta de oxigênio para a respiração branquial levou à morte em massa de peixes em abril de 2023, incluindo centenas de carpas de grande porte. Em novembro de 2025, novos relatos indicaram a persistência do problema, com peixes buscando ar na superfície da água.
A represa, construída na década de 1920, enfrenta esse desequilíbrio há quase 50 anos. Nos anos 1990, houve uma tentativa de recuperação por meio de um programa de biorremediação, mas a iniciativa foi interrompida devido aos altos custos. Um estudo de 2022 identificou o rio Crocodile como a principal via de transporte dos resíduos que alimentam a eutrofização. O material provém majoritariamente de campos de golfe e áreas agrícolas, onde o uso de fertilizantes despeja nutrientes que são carregados lentamente até o reservatório.
Além do colapso ecológico, a situação compromete a saúde pública. A deterioração da água exige a remoção de toxinas para o consumo humano e oferece riscos de intoxicação para cães e irritações cutâneas em pessoas que praticam esportes aquáticos no local.