Sonda Mars Odyssey registra imagem inédita do vulcão Arsia Mons no horizonte de Marte
A sonda Mars Odyssey registrou a primeira imagem do horizonte de Marte com o vulcão Arsia Mons acima de nuvens de gelo de água. Para a captura, a nave rotacionou 90 graus e utilizou o instrumento THEMIS. Os dados auxiliam na análise da atmosfera e no planejamento de missões futuras
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A sonda Mars Odyssey, em missão de longa data na órbita de Marte, registrou uma imagem inédita do horizonte do planeta vermelho, capturando o momento em que o vulcão Arsia Mons emerge acima de uma densa camada de nuvens pouco antes do amanhecer. A perspectiva, divulgada pelo Laboratório de Propulsão a Jato (JPL), simula o ângulo de visão que astronautas possuem ao observar a Terra do espaço.
O registro é a primeira vez que essas imensas formações geológicas são fotografadas no horizonte marciano, oferecendo um novo ângulo de análise para cenários que eram estudados predominantemente por imagens verticais. Para viabilizar a captura, a nave realizou uma rotação de 90 graus em sua órbita, direcionando a câmera — originalmente projetada para a análise da superfície — para a linha do horizonte.
Características do Arsia Mons e fenômenos atmosféricos
O Arsia Mons é um dos maiores vulcões de Marte e o mais meridional do grupo conhecido como Montes Tharsis. A estrutura possui cerca de 20 quilômetros de altura quando medida a partir do fundo oceânico, embora sua elevação em relação à superfície seja de 4.800 metros.
A imagem destaca a cúpula do vulcão isolada sobre nuvens de gelo de água. Esse fenômeno ocorre quando o ar sobe pelas encostas da montanha, expande-se e resfria rapidamente. A incidência dessas nuvens é maior durante o afélio marciano (ponto mais distante do Sol), período em que se forma o chamado cinturão de nuvens do afélio ao redor do equador. Jonathon Hill, operador da câmera da Odyssey, confirmou que a escolha do Arsia Mons visava justamente capturar a cúpula surgindo acima da nebulosidade matinal.
Aplicações científicas e missões futuras
Além do valor visual, os dados auxiliam na compreensão de como a poeira e as camadas de gelo de água variam conforme as estações. Michael D. Smith, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, pontuou que as imagens do horizonte revelam diferenças sazonais significativas, o que oferece novas evidências sobre a evolução da atmosfera marciana.
A sonda utiliza o instrumento THEMIS, capaz de operar em luz visível e infravermelho. Essa tecnologia permite:
- Identificar zonas de gelo de água no subsolo;
- Analisar a composição das luas Fobos e Deimos;
- Mapear a distribuição de poeira e nuvens.
O estudo dessas dinâmicas atmosféricas é considerado essencial para o planejamento de futuras missões, especialmente para garantir a segurança nas etapas de entrada, descida e pouso em Marte.