Sonda Psyche utiliza a gravidade de Marte para ajustar rota rumo a asteroide
A sonda Psyche, da Nasa, realizou em maio uma manobra de assistência gravitacional em Marte para ajustar a rota ao asteroide homônimo, com chegada prevista para agosto de 2029. O sobrevoo permitiu a calibração de instrumentos científicos, a captura de imagens do planeta e a detecção de suas luas, Fobos e Deimos
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A sonda espacial Psyche, da Nasa, utilizou a gravidade de Marte em maio para acelerar sua velocidade e ajustar a rota rumo ao seu destino final: o asteroide Psyche, localizado no cinturão principal entre Marte e Júpiter. A manobra de assistência gravitacional, planejada durante anos, foi executada com precisão pela equipe de navegação do Laboratório de Propulsão a Jato, garantindo que a espaçonave chegue ao alvo em agosto de 2029.
Testes de instrumentação e dados marcianos
Embora o objetivo principal fosse a manobra orbital, a passagem permitiu a calibração de equipamentos científicos essenciais. O espectrômetro de raios gama e nêutrons, projetado para identificar a composição química da superfície do asteroide através da radiação natural dos materiais, registrou um aumento na contagem de nêutrons no ponto de maior aproximação. Apesar de a altitude de 4.609 quilômetros ter sido insuficiente para detectar raios gama da superfície marciana, o resultado validou a operação do instrumento.
Simultaneamente, o magnetômetro — ferramenta que testará se o asteroide Psyche é o núcleo metálico de um planetesimal — detectou a região de choque de proa. Esse fenômeno ocorre onde o vento solar colide com o campo magnético de Marte, permitindo que a equipe validasse o desempenho do sensor em condições dinâmicas e observasse a física do magnetismo planetário.
Mapeamento visual e calibração de imagem
Durante a aproximação máxima, a sonda capturou registros detalhados de Marte, incluindo a calota polar sul, crateras eólicas e a cratera Huygens, caracterizada por seus anéis duplos. Essas imagens serviram para testar a sensibilidade à luz difusa e a calibração dos imageadores.
Como parte do treinamento para a futura busca por satélites ao redor do asteroide, a equipe conseguiu detectar as luas Fobos e Deimos a longa distância. Atualmente, esses registros estão sendo comparados a dados de missões anteriores, como os rovers Curiosity e Perseverance, além dos orbitadores Mars Odyssey e Mars Reconnaissance Orbiter.
A investigadora principal da missão, Lindy Elkins-Tanton, da Universidade da Califórnia, Berkeley, destacou que, embora Marte já seja amplamente estudado, a perspectiva única da sonda Psyche complementou a ciência do planeta vermelho com novos dados coletados durante o sobrevoo.