Unesco alerta: IA pode causar perdas de até 24% para criadores de música até 2028
O relatório da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) alerta que as indústrias culturais e criativas podem perder até 24% de receita por conta da expansão dos conteúdos gerados pela inteligência artificial. A pesquisa também revelou que países em desenvolvimento representam apenas uma pequena parcela do comércio global de serviços culturais, com o financiamento público direto para a cultura abaixo de 0,6% do PIB global
Criatividade sob ameaça: Relatório da Unesco alerta para perdas significativas no setor cultural até 2028
A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) divulgou um relatório alarmante sobre o futuro das políticas de criatividade. De acordo com os dados coletados em mais de 120 países, as indústrias culturais e criativas enfrentarão quedas significativas nas receitas até 2028, graças ao aumento da produção de conteúdo por inteligência artificial (IA).
O estudo "Re|thinking Policies for Creativity" destaca que a expansão dos conteúdos gerados pela IA poderá provocar perdas globais de até 24% para criadores de música e 21% para o setor audiovisual. Além disso, os países em desenvolvimento representam apenas uma pequena parcela do comércio global de serviços culturais.
O diretor-geral da Unesco, Khaled El-Enany, destacou a necessidade de renovar e fortalecer o apoio àqueles que estão engajados na criação artística e cultural em um contexto onde a IA e as transformações digitais redefinem as indústrias criativas.
A pesquisa também revela uma diferença entre compromissos gerais e ações concretas. Embora 85% dos países tenham incluído as indústrias culturais e criativas nos seus planos nacionais de desenvolvimento, apenas 56% definiram objetivos culturais específicos.
O comércio global de bens culturais atingiu US$ 254 bilhões em 2023, mas os países em desenvolvimento representam pouco mais de 20% do comércio global de serviços culturais. Além disso, o financiamento público direto para a cultura continua reduzido, abaixo de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) global.
A transformação digital aumentou o acesso a ferramentas e audiências, mas também intensificou desigualdades e aumentou a instabilidade financeira de criadores e profissionais do setor cultural. A competência digital é essencial para 67% da população dos países desenvolvidos, enquanto somente 28% dos países em desenvolvimento possuem essa habilidade.
O relatório também chama atenção para a concentração de mercado em poucas plataformas de streaming e a dificuldade na visibilidade de criadores menos conhecidos. Além disso, apenas 48% dos países afirmaram estar desenvolvendo estatísticas para acompanhar o consumo cultural digital.
A Unesco destaca ainda os obstáculos colocados para a mobilidade artística internacional. Os dados evidenciam que 96% dos países desenvolvidos apoiam a mobilidade artística para o exterior, mas apenas 38% facilitam a entrada de artistas provenientes de países em desenvolvimento.
Em termos de igualdade de gêneros, a Unesco identificou avanços e disparidades significativos nas indústrias culturais e criativas. A liderança feminina em instituições culturais nacionais aumentou globalmente, mas persiste a desigualdade na distribuição das mulheres nos cargos de liderança.
O relatório é a quarta parte da série que supervisiona a implementação da Convenção da Unesco de 2005 sobre proteção e promoção da diversidade cultural. O documento foi publicado com apoio do governo sueco e da Agência Sueca para a Cooperação Internacional para o Desenvolvimento.
A Unesco conta atualmente com mais de 164 projetos apoiados nas áreas de cinema, artes cênicas, artes visuais e mídia em 76 países do sul global.