Economia

Abimaq se manifesta contra a adoção de reciprocidade tarifária em resposta a taxas dos Estados Unidos

21 de Julho de 2026 às 13:07

A Abimaq manifestou-se contra a reciprocidade tarifária em reunião com o governo federal nesta terça-feira (21). A entidade busca alternativas ao impacto da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O setor defende a ampliação do programa Brasil Soberano e a intensificação de negociações diplomáticas

A indústria de máquinas e equipamentos, representada pela Abimaq, manifestou-se contra a adoção de reciprocidade tarifária pelo governo brasileiro em resposta às novas taxas impostas pelos Estados Unidos. A posição foi apresentada em reunião nesta terça-feira (21) com o vice-presidente Geraldo Alckmin e os ministros Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio) e Dario Durigan (Fazenda).

O setor busca alternativas para mitigar os impactos do tarifaço do governo Donald Trump, que estabeleceu uma tarifa adicional de 25% aplicada exclusivamente a produtos brasileiros. A medida, baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 após investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), entra em vigor nesta quarta-feira (22).

Impactos na competitividade industrial

A taxação específica de 25% prejudica a competitividade das máquinas brasileiras no mercado norte-americano, tornando-as mais caras em comparação a produtos de outros países. Esse cenário é agravado pelo fato de a indústria de máquinas dos Estados Unidos competir diretamente com a brasileira, reduzindo as condições de disputa do Brasil.

A situação difere da sobretaxa de 12,5% aplicada a diversos países, na qual a competitividade brasileira é preservada, já que os concorrentes internacionais enfrentam as mesmas condições.

Medidas de mitigação e exportações

Para enfrentar as barreiras, a Abimaq defende a ampliação do programa Brasil Soberano, que oferece linhas de crédito facilitadas para os setores atingidos — iniciativa que o governo federal já sinalizou que irá reforçar. Além disso, a entidade solicita:

  • Intensificação das negociações diplomáticas;
  • Busca por novos mercados consumidores;
  • Ações para elevar a competitividade da indústria nacional.

Apesar das restrições, as exportações da indústria de máquinas atingiram um patamar recorde, com crescimento de 12% nos últimos 12 meses. José Velloso, presidente da Abimaq, aponta que a diversificação dos destinos das vendas externas tem compensado a queda nas exportações para os Estados Unidos.

Reação governamental

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) tem promovido encontros com os setores mais afetados para definir estratégias econômicas. Embora o governo Lula tenha classificado a decisão americana como um "marco lastimável" e sem justificativa econômica, alegando motivações políticas, a administração brasileira admitiu a possibilidade de recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.

O governo comprometeu-se a analisar as propostas da indústria, embora não tenha estabelecido um prazo para a resposta oficial sobre as medidas sugeridas. Vale ressaltar que, mesmo com a nova taxa, uma lista extensa de produtos foi excluída da sobretaxa pelos Estados Unidos.

Com informações de G1

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