Brasil cria mecanismo legal para aplicar reciprocidade comercial em resposta a tarifas dos Estados Unidos
O Brasil aprovou um mecanismo legal de reciprocidade comercial para aplicar tarifas equivalentes às de outros países. A medida surge após os Estados Unidos imporem uma taxa adicional de 25% sobre etanol, papel e máquinas agrícolas
O Brasil agora dispõe de um mecanismo legal para aplicar a reciprocidade comercial em suas relações com os Estados Unidos, conforme detalhado pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Márcio Elias Rosa, nesta quarta-feira (21). O instrumento, aprovado pelo Congresso Nacional, permite que o governo brasileiro adote restrições ou tarifas equivalentes àquelas impostas por nações estrangeiras, visando reequilibrar a economia diante de barreiras unilaterais.
Impacto das tarifas americanas
A declaração do ministro ocorre simultaneamente ao início da vigência de uma tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre diversos produtos brasileiros. A medida foi implementada após o governo de Donald Trump concluir que o Brasil utiliza práticas que restringem ou oneram o comércio bilateral, citando especificamente a regulação de plataformas digitais e o sistema de pagamentos PIX.
O impacto financeiro da nova taxa será sentido em setores específicos:
- Etanol;
- Máquinas agrícolas;
- Papel.
Por outro lado, itens como carne bovina, café e petróleo foram excluídos da lista de produtos taxados.
Posicionamento do governo brasileiro
O governo do Brasil contesta as justificativas dos Estados Unidos, classificando a tarifa como uma ação de motivação política e uma tentativa de interferência em temas internos inegociáveis.
Sobre a utilização da Lei de Reciprocidade, Márcio Elias Rosa pontuou que a ferramenta será empregada nos momentos adequados e necessários, ressaltando que a aplicação desse dispositivo legal não deve ser confundida com atos de vingança ou retaliação.