Brasil é o país mais impactado por nova reformulação tarifária dos Estados Unidos
A alíquota efetiva de importação de produtos brasileiros para os Estados Unidos subiu de 11% para 17,7%, segundo a Global Trade Alert. O Brasil tornou-se o país mais afetado pela nova política de tarifas específicas por país do governo de Donald Trump
A alíquota efetiva de importação dos produtos brasileiros para os Estados Unidos subiu de 11% para 17,7%, tornando o Brasil o país mais impactado pela nova reformulação tarifária do governo de Donald Trump. Os dados, publicados pelo Financial Times nesta sexta-feira (24), baseiam-se em levantamento da organização Global Trade Alert.
Estrutura de taxação e base legal
A mudança ocorre após a Suprema Corte dos EUA ter declarado ilegais, no início deste ano, as tarifas amplas anunciadas em abril de 2025. Para contornar a decisão judicial e manter a política de taxação, Washington substituiu a taxa geral por tarifas específicas por país, fundamentando a medida em uma lei comercial de 1974.
Essa nova arquitetura jurídica visa blindar as taxas contra decisões judiciais generalizadas. De acordo com George Riddell, diretor da consultoria Goyder, o modelo atual impede que uma única sentença derrube todo o sistema; caso um país consiga reverter a medida nos tribunais, a decisão terá validade apenas para aquela nação.
Apesar da redistribuição dos custos entre os parceiros, a tarifa média cobrada pelos Estados Unidos sobre as importações globais permaneceu estável, mantendo-se em 10,8%.
Impactos regionais e exceções europeias
Enquanto o Brasil sofreu a maior alta, a Europa obteve reduções nas alíquotas efetivas, com destaque para Bélgica, Espanha e Itália, que registraram quedas entre 1 e 1,5 ponto percentual. Outras nações, como França, Reino Unido e Alemanha, também foram beneficiadas.
Johannes Fritz, diretor-executivo da Global Trade Alert, aponta que esse cenário decorre de exceções concedidas a produtos específicos, como ferro-gusa, cortiça e diamantes. Além disso, a tarifa básica de 10% aplicada à União Europeia deixou de ser cumulativa com outras cobranças, aliviando o peso tributário total.
Outros mercados também registraram alta nas tarifas efetivas, com aumentos entre 0,5 e 1 ponto percentual em países como:
- China;
- Vietnã;
- Indonésia;
- Chile;
- Colômbia.
A nova política substitui a tarifa global temporária de 10%, que expirou nesta sexta-feira, após a decisão da Suprema Corte.
Riscos de retaliação comercial
Embora a União Europeia tenha reagido positivamente à nova estrutura, há receio de que novas investigações comerciais dos EUA resultem em taxas adicionais para a indústria europeia.
Como medida de precaução, a Comissão Europeia já estruturou um pacote de retaliação que atinge cerca de € 93 bilhões (aproximadamente R$ 590 bilhões) em exportações americanas, focando em setores como soja, bourbon e automóveis.