BYD testa dez cavalos mecânicos elétricos pesados em sua fábrica de Camaçari na Bahia
A BYD testa dez cavalos mecânicos elétricos 6×2 em sua fábrica de Camaçari, na Bahia, para validar a expansão ao segmento de veículos pesados. Os modelos operam internamente na unidade e não possuem data de lançamento comercial

A BYD iniciou a fase de validação de dez cavalos mecânicos elétricos pesados com configuração 6×2, operando internamente em sua unidade fabril de Camaçari, na Bahia. A iniciativa marca a expansão da montadora chinesa para o segmento de veículos pesados, avançando além do portfólio atual de ônibus e caminhões de porte leve e médio.
Os modelos em teste são utilizados para a movimentação de cargas dentro da planta baiana e ainda não passaram por adaptações definitivas para as demandas do mercado brasileiro, não havendo, portanto, data oficial para lançamento comercial. A escolha da configuração 6×2 visa testar a viabilidade de baterias maiores e a robustez operacional necessária para reduzir o tempo de inatividade em logísticas de alta complexidade.
A estratégia de entrada no setor de transporte de cargas ocorre de forma escalonada. Após consolidar a operação de ônibus elétricos em cidades como São Paulo, Salvador, Goiânia e São José dos Campos, a empresa prioriza agora os caminhões. Atualmente, a oferta da marca no Brasil foca em veículos leves e médios para distribuição urbana e "last mile", com autonomia de aproximadamente 220 quilômetros. O próximo passo prevê a expansão para trajetos de média distância, conectando fábricas e centros de distribuição.
Para viabilizar essa transição, a BYD aposta na eficiência energética e na redução do tempo de recarga. A companhia apresentou para 2026 a nova geração da bateria Blade e sistemas de carregamento ultrarrápido que, em modelos automotivos, permitem carregar de 10% a 70% da bateria em cinco minutos. Para a linha de caminhões, a expectativa é que a recarga seja reduzida para cerca de dez minutos.
No portfólio de caminhões já disponíveis, haverá reorganizações: o modelo T5 será substituído pelo T75, com entregas previstas para o segundo semestre de 2026 e pedidos já abertos. Já os modelos T18 e T23 terão atualizações a partir de 2027. A empresa também planeja ingressar no nicho de veículos de 3,5 toneladas para distribuição urbana. Em termos de volume, a BYD registrou a venda de cerca de 60 unidades do T18 no país, enquanto os demais modelos apresentam números modestos.
A operação de testes ocorre na fábrica de Camaçari, instalada no antigo complexo da Ford e inaugurada em outubro de 2025, com capacidade inicial de 150 mil unidades anuais. A produção local é central para a competitividade, dado que o imposto de importação para veículos eletrificados atingirá 35% em julho de 2026. A decisão de instalar uma fábrica dedicada a caminhões no Brasil permanece condicionada à existência de demanda e volume de mercado consistentes.
A entrada nos pesados elétricos ocorre em um cenário de concorrência crescente com outras fabricantes chinesas, como Foton, Sany e XCMG. A disputa no setor deve se concentrar não apenas em preços, mas em autonomia, capacidade de carga, assistência técnica e custo total de operação, fatores determinantes para grandes frotistas.