CNI mantém estimativa de crescimento do PIB brasileiro em 2% para este ano
A CNI manteve a projeção do PIB brasileiro em 2% para este ano, mas elevou a estimativa do IPCA para 5%. O relatório revisou para cima o crescimento da indústria, agropecuária e construção civil, enquanto reduziu a expectativa para o setor de serviços. A entidade também previu a taxa Selic em 13,75% ao ano para o fim de 2026

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) manteve a estimativa de crescimento do PIB brasileiro em 2% para este ano, conforme detalhado no Informe Conjuntural do 2º Trimestre, publicado nesta quarta-feira (22). O avanço da economia deve seguir um ritmo moderado, sustentado pela resiliência do setor de serviços, pelo agronegócio e pela indústria extrativa.
Apesar da manutenção do PIB, a entidade revisou a projeção do IPCA para cima, elevando a expectativa de inflação de 4,4% para 5%. Esse movimento é atribuído à pressão contínua nos preços de combustíveis, alimentos e serviços.
Desempenho Setorial e Indústria
O PIB industrial teve sua projeção elevada de 1,6% para 2,1%. Esse resultado é puxado principalmente pela indústria extrativa, que saltou de 7,8% para 9,1% nas estimativas, impulsionada pela maior produção de petróleo e por ser menos sensível aos juros altos. Já a indústria de transformação teve a previsão ajustada de 0,3% para 0,6%, embora enfrente dificuldades como o custo da guerra no Oriente Médio, juros elevados e a concorrência das importações. Atualmente, apenas sete dos 24 segmentos desse setor crescem.
Na construção civil, a projeção subiu de 1,3% para 1,5%, com expectativa de estímulo vindo de investimentos em infraestrutura e crédito habitacional.
No campo, a agropecuária teve sua projeção elevada pela segunda vez seguida, passando de 1,1% para 1,8%. O desempenho é favorecido pela produção animal e pela perspectiva de uma safra recorde de soja, superando a alta nos custos de insumos causada pelos conflitos no Oriente Médio.
Em contrapartida, o setor de serviços teve a estimativa de crescimento reduzida, de 2,1% para 1,9%. Embora apoiado pelo mercado de trabalho, vendas no varejo e tecnologia da informação, o segmento sofre com o endividamento das famílias, a inadimplência e a taxa de juros.
Política Monetária e Cenário Fiscal
A CNI reduziu a expectativa de queda da taxa Selic, prevendo agora apenas dois cortes de 0,25 ponto percentual ao longo de 2026. Com isso, a projeção para o fim de 2026 subiu de 12,75% para 13,75% ao ano, partindo de uma taxa atual de 14,25%. O juro real estimado é de 9,2%, enquanto o juro neutro é de 5%.
O cenário fiscal apresenta fragilidades que limitam a expansão econômica. A dívida pública atinge 82% do PIB e o déficit primário para 2026 é estimado em R$ 55,3 bilhões. No plano federal, a receita líquida deve crescer 5,8% acima da inflação, mas as despesas federais, com alta de 4,5% acima da inflação, devem manter as contas governamentais no vermelho.
Comércio Exterior e Riscos Globais
O Brasil registrou um superávit na balança comercial de US$ 77,9 bilhões (alta de 30,4%), com exportações de US$ 383,9 bilhões (9,5%) e importações totais de US$ 306 bilhões (5,2%). No entanto, as importações de bens de consumo subiram 16% no primeiro semestre, pressionando a indústria nacional.
Os principais riscos externos incluem:
- Guerra no Oriente Médio: Elevação de custos de energia, fertilizantes e combustíveis, embora a oferta global de petróleo possa mitigar essa pressão.
- Tarifas dos Estados Unidos: Possíveis taxas sobre produtos brasileiros que podem prejudicar as exportações em 2026.