Economia

Custo da cesta básica sobe nas 27 capitais brasileiras segundo levantamento do Dieese e Conab

09 de Abril de 2026 às 09:10

O custo da cesta básica subiu nas 27 capitais brasileiras, com São Paulo registrando o valor mais alto (R$ 883,94) e Aracaju o menor (R$ 598,45). A alta foi impulsionada por itens como leite, carne bovina, tomate, batata e feijão. O trabalhador que recebe o salário mínimo precisa de 109 horas de trabalho para adquirir os alimentos

O custo da cesta básica registrou alta nas 27 capitais brasileiras, conforme monitoramento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). São Paulo apresenta o valor mais elevado, com R$ 883,94, enquanto Aracaju detém a média mais baixa, totalizando R$ 598,45.

A pressão nos preços foi impulsionada por leite, carne bovina, tomate, batata e feijão. No caso dos três últimos, as chuvas nas regiões produtoras foram determinantes. Em contrapartida, o açúcar apresentou redução de custo médio em 19 cidades devido ao excesso de oferta.

O feijão teve alta em todas as capitais. O grão preto, monitorado em Vitória, Rio de Janeiro e cidades do Sul, variou entre 1,68% (Curitiba) e 7,17% (Florianópolis). Já o feijão carioca, nas demais capitais, oscilou entre 1,86% (Macapá) e 21,48% (Belém). A escassez do produto decorre de dificuldades na colheita, redução da área na primeira safra e projeções de menor produção na segunda. No Mato Grosso do Sul, o excesso de chuvas restringiu a janela entre culturas, forçando a substituição por variedades de feijão preto voltadas ao mercado indiano.

Atualmente, a saca do feijão carioca é comercializada a R$ 350, com previsão de queda entre agosto e outubro, período da safra irrigada. O feijão preto custa entre R$ 200 e R$ 210 a saca, amparado por estoques de 2025, mas a tendência é que se torne mais caro que o carioca em 2026 devido ao baixo plantio na segunda safra e aos danos climáticos no Paraná. A Conab estima uma produção superior a 3 milhões de toneladas, alta de 0,5% frente ao ciclo 2024/2025, embora persista a incerteza sobre os custos de combustíveis e fertilizantes e a possibilidade de alta global nos alimentos.

Em relação ao poder de compra, o trabalhador que recebe o salário mínimo de R$ 1.621,00 precisa de 109 horas de trabalho para custear a cesta básica. Em março, o tempo médio necessário para a aquisição dos itens foi de 97 horas e 55 minutos, superior às 93 horas e 53 minutos registrados em fevereiro. Contudo, o valor é menor do que em março de 2025, quando a jornada média era de 106 horas e 24 minutos (baseado em 17 capitais).

O comprometimento da renda líquida (após desconto de 7,5% da Previdência Social) para a compra dos alimentos básicos subiu para 48,12% em março, contra 46,13% em fevereiro. No mesmo período do ano anterior, a média nas 17 capitais analisadas era de 52,29%.

No comparativo anual entre 17 cidades, houve alta nos custos em 13 e queda em quatro. Os maiores aumentos ocorreram em Aracaju (5,09%), Salvador (4,51%) e Recife (4,38%), enquanto Brasília (-4,63%) e Florianópolis (-0,91%) registraram as principais reduções. O levantamento anual não inclui Boa Vista, Cuiabá, Macapá, Maceió, Manaus, Palmas, Porto Velho, Rio Branco, São Luiz e Teresina.

Para suprir as necessidades constitucionais de uma família de quatro pessoas, considerando a cesta mais cara (São Paulo) e gastos com saúde, educação, moradia, transporte, higiene, vestuário, lazer e previdência, o salário mínimo ideal em março seria de R$ 7.425,99 (4,58 vezes o piso atual). Em fevereiro, esse valor era de R$ 7.164,94 (4,42 vezes o mínimo). Em março de 2025, o montante necessário era de R$ 7.398,94, o que representava 4,87 vezes o salário mínimo da época (R$ 1.518,00).

Com informações de Agência Brasil

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