Economia

Endividamento das Famílias Brasileiras Alcança Recorde com 79,5% dos Lares Endividados no Início do Ano

09 de Fevereiro de 2026 às 06:35

O endividamento das famílias brasileiras atingiu 79,5% em janeiro, igualando recorde alcançado em outubro. O cartão de crédito é a forma mais presente do endividamento e o comprometimento médio das dívidas é de sete meses e meio. A parcela da renda gasta com as dívidas ocupa 29,7% do orçamento familiar

Endividamento das Famílias Brasileiras Alcança Patamar Recorde em Janeiro

O indicador que mede o percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu 79,5% no início do ano, igualando recorde alcançado em outubro. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revela que o endividamento é mais presente entre famílias com renda mensal até três salários mínimos.

De acordo com os dados da Peic, 82,5% das famílias nessa faixa de rendimento estão endividadas. Já nas famílias com renda superior a dez salários mínimos o indicador recua para 68,3%. O levantamento também identificou que o cartão de crédito é a forma mais presente do endividamento.

O comprometimento médio das dívidas é de sete meses e meio. A parcela da renda gasta com as dívidas ocupa em média 29,7% do orçamento familiar. Uma em cada cinco famílias afirma ter mais da metade dos rendimentos comprometidos com dívidas.

A CNC destaca que a inadimplência no país é um problema preocupante e está relacionada à capacidade das famílias de honrar os pagamentos. A instituição ressalta também que o índice de endividamento não é necessariamente negativo, pois pode ser uma forma de direcionar dinheiro para consumo.

A pesquisa apurou ainda que a inadimplência em janeiro foi 29,3%, marcando recuo desde outubro. O tempo médio de pagamento em atraso ficou em 64,8 dias e 12,7% das famílias disseram não ter condições de pagar dívidas atrasadas.

A alta da taxa básica de juros (Selic) está entre as principais causas do endividamento. A Selic atinge o maior patamar desde julho de 2006 e influencia as demais taxas praticadas no mercado, como os juros ao consumidor.

O economista-chefe da CNC projeta que o endividamento das famílias seguirá em alta nos próximos meses. Para a inadimplência, a estimativa é redução até encostar em 28,9% em junho. A queda da taxa Selic deve ajudar na regressão do índice de inadimplência.

A CNC destaca que o desaperto monetário pode levar tempo para ser sentido no mercado de crédito e que as famílias devem se preparar para uma taxa de juros significativamente menor a partir da segunda metade do ano.
Com informações de Agência Brasil - Economia

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