Economia

Estados Unidos aplicam tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras de papel, máquinas e etanol

22 de Julho de 2026 às 06:12

Estados Unidos iniciam nesta quarta-feira (22) a cobrança de tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras de etanol, papel e máquinas agrícolas. O governo federal busca negociações para ampliar isenções e avalia a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica. A ApexBrasil investirá R$ 130 milhões em agosto para diversificar mercados

Nesta quarta-feira (22), entra em vigor a tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras. Apesar da medida, o governo federal ainda não implementou retaliações práticas, optando por uma estratégia de negociação para tentar ampliar a lista de produtos isentos da taxação.

A nova cobrança impacta diretamente os setores de papel, máquinas agrícolas e etanol. Por outro lado, itens como carne bovina, café e petróleo não foram incluídos na lista de produtos afetados.

Instrumentos de resposta e a Lei da Reciprocidade

O Palácio do Planalto classificou a decisão americana como um "marco lastimável" e sinalizou a possibilidade de acionar a Lei da Reciprocidade Econômica. Sancionada em 2025, a legislação permite que o Brasil adote medidas contra países ou blocos que imponham barreiras comerciais, legais ou políticas.

Embora o vice-presidente Geraldo Alckmin tenha afirmado que a lei será aplicada no momento adequado, a gestão atual evita reações imediatas. Além da sobretaxa de produtos, a Lei da Reciprocidade prevê outros mecanismos de resposta que seguem sob análise:

  • Patentes: suspensão de regras internacionais de propriedade intelectual;
  • Serviços: imposição de restrições ou tarifas sobre serviços de empresas do país alvo;
  • Investimentos: suspensão de incentivos e benefícios concedidos a investidores estrangeiros;
  • Acordos comerciais: interrupção de concessões previstas em tratados bilaterais.

Riscos econômicos e pressões setoriais

A cautela do governo é motivada pelo risco de inflação interna. A aplicação de tarifas sobre produtos americanos poderia encarecer importações de insumos, peças e máquinas, elevando os custos de produção e os preços para o consumidor final.

Empresários do setor de máquinas, em reuniões realizadas na terça-feira (21), manifestaram-se contra a reciprocidade, defendendo que a solução seja buscada via canais diplomáticos e empresariais. Há também o receio de que uma resposta brasileira provoque a irritação da gestão Donald Trump, resultando em taxas ainda maiores, similar ao que ocorreu na guerra comercial entre China e EUA, onde tarifas superaram 100%.

Justificativas e contra-argumentos

O governo Trump fundamentou a taxação em uma investigação comercial, alegando que o Brasil adota práticas que restringem o comércio. Entre os pontos citados estão o desmatamento ilegal, a pirataria, o acesso ao mercado de etanol e o sistema de pagamentos PIX.

Brasília contesta as justificativas, argumentando que a medida possui motivação política e tenta interferir em políticas internas inegociáveis, como o PIX. Internamente, assessores presidenciais avaliam que uma retaliação imediata poderia ser utilizada politicamente por adversários, como o senador Flávio Bolsonaro, para alegar que interesses eleitorais estariam acima dos interesses empresariais.

Medidas de mitigação e cenário eleitoral

Para apoiar as empresas prejudicadas, a ApexBrasil prepara um programa de diversificação de mercados com investimento de R$ 130 milhões, previsto para agosto, visando aproveitar o acordo entre Mercosul e União Europeia. O governo também planeja linhas de crédito condicionadas à manutenção de empregos.

O cenário é influenciado pelos calendários eleitorais no Brasil e nos Estados Unidos. Enquanto a maioria dos brasileiros, segundo pesquisa Quaest, atribui a responsabilidade da tarifa a Flávio Bolsonaro, a tendência é que as negociações técnicas se prolonguem. A expectativa é que uma janela real para acordos ocorra apenas após outubro, mantendo-se, até então, a defesa da soberania no discurso e a cautela nas ações práticas.

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