Estados Unidos aplicam tarifa adicional de 25% sobre parte das exportações de produtos brasileiros
Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 25% sobre 18% das exportações brasileiras, afetando setores como máquinas, calçados e madeira. O governo federal liberou R$ 18,5 bilhões em crédito para as empresas atingidas e avalia a aplicação da *Lei de Reciprocidade Econômica
Uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22), após a conclusão de uma investigação comercial do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. A medida impacta aproximadamente 18% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano, atingindo principalmente os setores de máquinas e equipamentos, calçados, madeira, móveis, produtos cerâmicos e parte da indústria de transformação.
Para mitigar os danos, o governo federal liberou R$ 18,5 bilhões em crédito destinados às empresas prejudicadas, com foco no fortalecimento do programa Brasil Soberano. Itens como petróleo, café, carne bovina, celulose e aeronaves foram excluídos da cobrança.
Divergências sobre a Lei de Reciprocidade
O governo brasileiro classificou a decisão de Washington como um "marco lastimável" e sem justificativa econômica, atribuindo a medida a motivações políticas. Diante disso, a gestão federal mantém a possibilidade de acionar a Lei de Reciprocidade Econômica, instrumento que permite aplicar ao país estrangeiro as mesmas restrições ou tarifas impostas ao Brasil para reequilibrar a relação comercial.
Apesar da defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo uso desse mecanismo, a equipe econômica adota cautela. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo estuda todas as opções e deve agir no "momento adequado", ressaltando que a resposta brasileira não deve ser vista como uma retaliação, mas sim como parte de uma estratégia de negociação. No mesmo sentido, o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, declarou que, no momento, não há necessidade de aplicar medidas contra os Estados Unidos.
Reação do setor produtivo
Representantes da indústria e de logística manifestaram resistência à aplicação de tarifas espelhadas. Em reuniões iniciadas na terça-feira (21) com o governo, entidades como a Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), a Abicalçados e a Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) defenderam a via diplomática.
A preocupação do setor empresarial concentra-se nos seguintes pontos:
- Custo de produção: O risco de que a reciprocidade tarifária eleve os custos da indústria nacional, que depende de insumos e componentes importados.
- Escalada de conflito: O alerta da Fenatac (Federação Interestadual das Empresas de Transporte de Cargas & Logística) sobre o risco de agravar a crise comercial, prejudicando ainda mais as empresas brasileiras.
- Apoio financeiro: A demanda por ampliação de linhas de crédito e reforço nos programas de auxílio para os segmentos de têxteis, plásticos, pneus, eletroeletrônicos e máquinas.
O governo federal deve realizar novos encontros com outros setores produtivos para detalhar a estratégia de reação ao tarifaço e a execução do suporte financeiro às empresas.