Estados Unidos aplicam tarifa adicional sobre exportações brasileiras devido a leis contra o trabalho forçado
Estados Unidos aplicaram tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros por falta de leis contra o trabalho forçado, elevando a carga tributária total para 37,5%. A medida atinge 85,3% das exportações do país, com projeção de queda entre 10% e 11% nas vendas de máquinas e equipamentos. O governo federal pretende acionar a OMC e a Lei de Reciprocidade, enquanto entidades industriais defendem negociações bilaterais
Exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentam um novo cenário de custos após o anúncio de uma tarifa adicional de 12,5%, aplicada sob a justificativa de que o Brasil carece de leis rigorosas contra o trabalho forçado. Com a soma de uma taxa de 25% já estabelecida em 15 de novembro, a carga tributária total sobre diversos produtos brasileiros pode atingir 37,5%.
De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), a medida impacta 85,3% das exportações do país para o mercado norte-americano, o que encarece os custos e fragiliza as cadeias produtivas. Enquanto matérias-primas, como petróleo e café, permanecem isentas, os produtos manufaturados são os mais prejudicados devido às margens de lucro reduzidas e à alta concorrência.
Impactos no setor de máquinas e equipamentos
A indústria de máquinas e equipamentos é um dos segmentos mais vulneráveis. Em 2025, as vendas externas do setor somaram US$ 13,8 bilhões, sendo que os Estados Unidos absorveram US$ 3,2 bilhões (23% do total). A Abimaq projeta que a perda de competitividade frente aos fabricantes locais dos EUA causará uma queda entre 10% e 11% nas exportações para aquele país.
Para mitigar os danos, a Abimaq defende medidas como:
- A regulamentação do Plano Brasil Soberano 3;
- O diferimento de tributos federais;
- A ampliação do Reintegra para 5%;
- O fortalecimento da promoção comercial para diversificar mercados.
Divergência entre governo e indústria sobre a resposta
O Palácio do Planalto classificou a tarifa como "arbitrária e injustificada". Em resposta, o governo federal anunciou que acionará a Organização Mundial do Comércio (OMC) e iniciará os trâmites da Lei de Reciprocidade para aplicar medidas semelhantes aos produtos americanos.
No entanto, as entidades industriais divergem dessa estratégia. A Amcham e a Abimaq alertam que a reciprocidade pode gerar uma escalada política e comercial, prejudicando consumidores e trabalhadores. Para essas entidades, a solução mais eficaz seria a retomada de negociações bilaterais diretas entre os governos.
Articulação e apoio setorial
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) — representando o segundo maior estado exportador para os EUA — também priorizam a via diplomática para ampliar a lista de exceções e garantir previsibilidade.
Em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a CNI propõe a criação de uma missão dentro da política Nova Indústria Brasil (NIB). O objetivo é oferecer suporte emergencial e planejado às empresas atingidas, contando com a estrutura do SESI e do SENAI para auxiliar na internacionalização das cadeias produtivas e evitar a perda de contratos, a redução da produção e a queda nos níveis de emprego.