Economia

Estados Unidos aplicam tarifa adicional sobre exportações brasileiras devido a leis contra o trabalho forçado

24 de Julho de 2026 às 15:06

Estados Unidos aplicaram tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros por falta de leis contra o trabalho forçado, elevando a carga tributária total para 37,5%. A medida atinge 85,3% das exportações do país, com projeção de queda entre 10% e 11% nas vendas de máquinas e equipamentos. O governo federal pretende acionar a OMC e a Lei de Reciprocidade, enquanto entidades industriais defendem negociações bilaterais

Exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentam um novo cenário de custos após o anúncio de uma tarifa adicional de 12,5%, aplicada sob a justificativa de que o Brasil carece de leis rigorosas contra o trabalho forçado. Com a soma de uma taxa de 25% já estabelecida em 15 de novembro, a carga tributária total sobre diversos produtos brasileiros pode atingir 37,5%.

De acordo com a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), a medida impacta 85,3% das exportações do país para o mercado norte-americano, o que encarece os custos e fragiliza as cadeias produtivas. Enquanto matérias-primas, como petróleo e café, permanecem isentas, os produtos manufaturados são os mais prejudicados devido às margens de lucro reduzidas e à alta concorrência.

Impactos no setor de máquinas e equipamentos

A indústria de máquinas e equipamentos é um dos segmentos mais vulneráveis. Em 2025, as vendas externas do setor somaram US$ 13,8 bilhões, sendo que os Estados Unidos absorveram US$ 3,2 bilhões (23% do total). A Abimaq projeta que a perda de competitividade frente aos fabricantes locais dos EUA causará uma queda entre 10% e 11% nas exportações para aquele país.

Para mitigar os danos, a Abimaq defende medidas como:

  • A regulamentação do Plano Brasil Soberano 3;
  • O diferimento de tributos federais;
  • A ampliação do Reintegra para 5%;
  • O fortalecimento da promoção comercial para diversificar mercados.

Divergência entre governo e indústria sobre a resposta

O Palácio do Planalto classificou a tarifa como "arbitrária e injustificada". Em resposta, o governo federal anunciou que acionará a Organização Mundial do Comércio (OMC) e iniciará os trâmites da Lei de Reciprocidade para aplicar medidas semelhantes aos produtos americanos.

No entanto, as entidades industriais divergem dessa estratégia. A Amcham e a Abimaq alertam que a reciprocidade pode gerar uma escalada política e comercial, prejudicando consumidores e trabalhadores. Para essas entidades, a solução mais eficaz seria a retomada de negociações bilaterais diretas entre os governos.

Articulação e apoio setorial

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) — representando o segundo maior estado exportador para os EUA — também priorizam a via diplomática para ampliar a lista de exceções e garantir previsibilidade.

Em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a CNI propõe a criação de uma missão dentro da política Nova Indústria Brasil (NIB). O objetivo é oferecer suporte emergencial e planejado às empresas atingidas, contando com a estrutura do SESI e do SENAI para auxiliar na internacionalização das cadeias produtivas e evitar a perda de contratos, a redução da produção e a queda nos níveis de emprego.

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