Economia

Estados Unidos implementam novas tarifas de importação que atingem cerca de 60 economias

24 de Julho de 2026 às 12:31

Os Estados Unidos aplicaram, nesta sexta-feira (24), tarifas de importação entre 10% e 12,5% para cerca de 60 economias. O Brasil e países asiáticos receberam a alíquota de 12,5% devido a falhas no combate ao trabalho forçado. Parceiros como Canadá, México, Reino Unido e União Europeia foram taxados em 10%

Estados Unidos implementam novas tarifas de importação que atingem cerca de 60 economias
Getty Images via AFP - JUSTIN SULLIVAN

A partir da meia-noite e um minuto desta sexta-feira (24), os Estados Unidos implementaram novas tarifas de importação que atingem cerca de 60 economias. As medidas substituem taxas temporárias adotadas em fevereiro, após a Suprema Corte ter anulado a maioria das sobretaxas estabelecidas no início do governo de Donald Trump.

As alíquotas aplicadas variam entre 10% e 12,5%. Parceiros comerciais estratégicos, como Canadá, México, Reino Unido e a União Europeia, foram submetidos a uma sobretaxa de 10%. No caso do Brasil, que já havia sido taxado em 25% na semana anterior, foi aplicada uma nova rodada de 12,5%.

Justificativas e impactos regionais

A imposição da alíquota de 12,5% para o Brasil e outros países asiáticos, como as Filipinas, decorre de uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR). O órgão identificou falhas no combate à importação de 3 mil itens produzidos sob regime de trabalho forçado.

Na Ásia, a reação foi de forte crítica:

  • China: O governo chinês, taxado em 12,5%, manifestou-se contra medidas tarifárias unilaterais, afirmando que a decisão prejudica ambas as partes.
  • Filipinas: A Câmara de Comércio e Indústria do país alertou para a perda de competitividade industrial, enquanto a secretaria de Comércio defendeu a conformidade do país com as normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
  • Aliados: Austrália, Japão e Nova Zelândia também classificaram as barreiras como injustificadas ou decepcionantes.

O governo brasileiro, por sua vez, decidiu utilizar a Lei da Reciprocidade como instrumento de pressão, embora mantenha a intenção de seguir com as negociações com a gestão Trump.

Relação com a União Europeia e o setor digital

A União Europeia recebeu a alíquota global de 10%, com isenções para produtos específicos, como diamantes, cortiça, medicamentos genéricos e aeronaves (incluindo peças de reposição). A Comissão Europeia considerou o desfecho consistente com os acordos comerciais firmados no ano passado.

O anúncio de Washington ocorreu simultaneamente a uma decisão da UE de multar o Google em € 890 milhões por práticas anticompetitivas no mercado digital. A definição das tarifas evitou, momentaneamente, a retaliação americana, já que o governo de Donald Trump frequentemente acusa o bloco europeu de prejudicar empresas dos EUA via regulamentações digitais. Para Bruxelas, a manutenção do acordo tarifário favorece diálogos sobre inteligência artificial e matérias-primas estratégicas.

Estratégia jurídica e comercial

Para evitar novas anulações judiciais, o USTR fundamentou as taxas na mesma legislação utilizada para tarifas setoriais de cobre, madeira, automóveis, aço e alumínio, que foram mantidas pela Suprema Corte.

O objetivo central da medida é utilizar o acesso ao mercado americano como alavanca de negociação para que outros países honrem acordos comerciais. Atualmente, o governo dos EUA mantém outras investigações em curso, focadas especialmente na capacidade industrial excedente de seus parceiros.

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