Economia

Estados Unidos impõem nova tarifa de 12,5% sobre produtos importados do Brasil e da União Europeia

24 de Julho de 2026 às 06:11

Os Estados Unidos aplicaram uma tarifa de 12,5% sobre importações de países como Brasil e União Europeia, alegando a falta de mecanismos contra o trabalho forçado. A carga tributária sobre itens brasileiros pode chegar a 37,5%, enquanto o Reino Unido não será atingido

Estados Unidos impõem nova tarifa de 12,5% sobre produtos importados do Brasil e da União Europeia
Getty Images via BBC

Os Estados Unidos implementaram uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos importados de diversos parceiros comerciais, incluindo a União Europeia e o Brasil. A medida, anunciada na quinta-feira, pode elevar a carga tributária sobre itens brasileiros a 37,5%, quando somada a taxas divulgadas na semana anterior.

A decisão fundamenta-se em uma investigação do Office of the United States Trade Representative (USTR), que concluiu que esses países não possuem mecanismos eficazes para impedir a entrada de mercadorias produzidas via trabalho forçado, o que geraria concorrência desleal para a indústria americana.

Reação da União Europeia e acordos comerciais

A Comissão Europeia manifestou a expectativa de que Washington cumpra integralmente o acordo comercial vigente desde 1º de julho. O bloco europeu ressaltou que já honrou seus compromissos, incluindo a redução de tarifas de importação para produtos dos EUA, aprovada pelo Parlamento Europeu em 16 de junho.

O entendimento entre as partes foi selado no ano passado, durante encontro na Escócia, prevendo a eliminação de tarifas europeias sobre produtos industriais e a ampliação do acesso de produtos agrícolas americanos ao mercado da UE. Em contrapartida, os Estados Unidos mantinham taxas de 15% sobre a maioria dos bens exportados pelo bloco. Anteriormente, Donald Trump havia ameaçado elevar as tarifas caso as medidas europeias não fossem implementadas até 4 de julho.

Impactos no Brasil e Reino Unido

Enquanto o Brasil enfrenta o aumento das taxas, o Reino Unido informou que não será atingido por esta rodada de sobretaxas. O governo britânico afirmou que seu acordo comercial com os EUA permanece válido e que as empresas do país não sofrerão reajustes alfandegários, destacando a adoção de medidas internas contra o trabalho forçado em suas cadeias de suprimentos.

No caso brasileiro, a justificativa americana é questionada por não apresentar casos concretos de produtos nacionais fabricados com trabalho forçado no mercado dos EUA. Setores como a cafeicultura e a pecuária, frequentemente ligados a resgates de trabalhadores em condições análogas à escravidão, não foram incluídos nas principais sobretaxas.

Dados de exposição ao risco e estratégia econômica

A ofensiva comercial ocorre em um cenário de reorganização das cadeias globais de produção e busca de maior pressão sobre concorrentes, como a China. No entanto, dados de 2023 da fundação Walk Free indicam que os próprios Estados Unidos lideram o ranking global de importações expostas ao risco de trabalho forçado, movimentando US$ 169,6 bilhões anuais. O Brasil, no mesmo período, registrou aproximadamente US$ 5,6 bilhões em mercadorias associadas a esse risco.

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