Estatais federais registram o pior déficit para o período de janeiro a abril desde 2002
As estatais federais registraram déficit de R$ 5,93 bilhões entre janeiro e abril, superando o total de R$ 5,1 bilhões do ano passado. O resultado, divulgado pelo Banco Central, é o pior para o período desde 2002
As empresas estatais federais fecharam os quatro primeiros meses deste ano com um déficit de R$ 5,93 bilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (29). O montante supera o rombo total registrado em todo o ano passado, que foi de R$ 5,1 bilhões, e representa o pior desempenho para o período de janeiro a abril desde que a série histórica foi iniciada, em 2002. O recorde anterior para esse intervalo havia sido registrado em 2025, com um saldo negativo de R$ 2,73 bilhões, sem a correção inflacionária.
O cálculo do Banco Central baseia-se na variação da dívida, metodologia adotada em análises fiscais internacionais, diferindo do conceito "acima da linha" utilizado pelo governo, que subtrai despesas de receitas sem contabilizar os juros da dívida. A apuração abrange companhias como Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro, Dataprev, Emgea, Hemobrás e Emgepron. Estão excluídas do levantamento a Petrobras, a Eletrobras — ambas retiradas do cálculo desde 2009, com revisão da série histórica retroativa a 2002 — e as instituições do setor financeiro.
O cenário é agravado pela crise financeira dos Correios. A estatal, que detém o monopólio de selos e do transporte de correspondências e cartões-postais, acumulou um prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, valor que triplica a perda de R$ 2,6 bilhões registrada em 2024. O resultado marca o 14º trimestre consecutivo de déficit desde o final de 2022, com perdas de R$ 4,36 bilhões apenas no primeiro semestre de 2025.
Para mitigar a crise de caixa e quitar dívidas, os Correios tomaram um empréstimo de R$ 12 bilhões com bancos em dezembro, contando com a garantia do Tesouro Nacional. Em maio, o governo autorizou a empresa a expandir sua atuação para a venda de títulos de capitalização, seguros e serviços de telefonia. Apesar dessas medidas, o presidente da estatal, Emmanoel Rondon, indicou no fim do ano passado a necessidade de outros R$ 8 bilhões em 2026, via novos empréstimos ou aportes do Tesouro.
As projeções do governo federal, detalhadas no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027 enviado ao Congresso em abril, indicam que as estatais federais permanecerão deficitárias até 2030. O documento aponta a possibilidade de a situação econômico-financeira dos Correios se agravar, mantendo a tendência dos últimos dois anos mesmo com o plano de reestruturação. A ministra da Gestão, Esther Dweck, admitiu que a União deverá realizar aportes de capital na empresa até 2027.