Exportações brasileiras para os Estados Unidos terão carga tributária de 37,5% a partir desta sexta-feira
Exportações brasileiras para os Estados Unidos terão carga tributária de 37,5% a partir desta sexta-feira (24). A medida atinge setores como confecções, calçados e máquinas, mas isenta itens como café e carne bovina. O governo brasileiro busca reverter as tarifas via diplomacia e disponibiliza R$ 18,5 bilhões via programa Brasil Soberano

Produtos brasileiros enfrentarão uma carga tributária acumulada de 37,5% em exportações para os Estados Unidos a partir desta sexta-feira (24). O índice resulta da soma de uma alíquota de 25%, implementada nesta semana, a uma nova tarifa de 12,5%.
Impactos setoriais e isenções
A dupla taxação atinge diversos segmentos da indústria brasileira, com destaque para os setores de confecções, produtos químicos (exceto farmacêuticos), calçados, máquinas, equipamentos, peças e componentes.
Por outro lado, cerca de 2 mil itens exportados permanecem isentos de ambas as medidas. Entre os produtos que não sofrerão a incidência das tarifas de 25% e 12,5% estão o café, a carne bovina, as frutas e o suco de laranja.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ainda trabalha para consolidar a lista completa de todos os itens afetados simultaneamente pelas duas sobretaxas.
Posicionamento do governo e diplomacia
O ministro Márcio Elias Rosa classificou a nova cobrança como indevida e baseada em premissas equivocadas. O governo brasileiro rebate as justificativas dos Estados Unidos ao reiterar que o país é signatário de todos os instrumentos da Organização Internacional do Trabalho e mantém políticas consolidadas de fiscalização, prevenção e combate ao trabalho forçado e escravo.
A estratégia imediata do Brasil prioriza a via diplomática para reverter as tarifas, com previsão de retomar as conversas com autoridades americanas no próximo mês, após a conclusão do levantamento dos impactos econômicos.
Medidas de resposta e apoio financeiro
Embora o diálogo seja a prioridade, o governo não descarta a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, sancionada este ano. O instrumento permite que o Brasil adote medidas de resposta a ações comerciais consideradas injustificadas para proteger a economia nacional.
Para mitigar os prejuízos, o governo foca no apoio aos setores atingidos e na prospecção de novos mercados. As empresas impactadas podem acessar recursos do programa Brasil Soberano, que oferece R$ 18,5 bilhões em crédito destinados a inovação, investimentos, capital de giro e abertura de novas frentes de exportação.