Governo projeta que exploração na Margem Equatorial produza mais de um milhão de barris diários
O governo federal projeta a produção de 1,1 milhão de barris diários de petróleo na Margem Equatorial. O presidente Lula defendeu a exploração da área pela Petrobras e a expansão da estatal para a extração de terras raras. O Ibama autorizou a pesquisa exploratória em águas profundas na Bacia da Foz do Amazonas em outubro de 2025
O governo federal projeta que a exploração de petróleo na Margem Equatorial possa render a produção de 1,1 milhão de barris diários, volume superior à capacidade dos campos de Búzios, que ultrapassa 900 mil barris, e de Tupi, com cerca de 850 mil barris por dia. A região, que abrange cinco bacias — Foz do Amazonas, Pará-Maranhão, Barreirinhas, Ceará e Potiguar —, estende-se do Amapá ao Rio Grande do Norte e é classificada pelo Ministério de Minas e Energia como uma nova fronteira com potencial para se tornar um novo "pré-sal".
Nesta segunda-feira (18), durante evento em São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou a necessidade de a Petrobras ocupar e explorar a área. A argumentação presidencial baseou-se na soberania nacional, mencionando que a ausência de exploração brasileira poderia atrair o interesse de Donald Trump, citando como exemplo as ameaças do americano em relação à Groelândia. Lula afirmou que a atividade será conduzida com responsabilidade ambiental, destacando o compromisso do Brasil com a preservação da Amazônia.
A operação na Bacia da Foz do Amazonas é considerada estratégica pela estatal, embora enfrente oposição de entidades civis e órgãos ambientais devido à biodiversidade e relevância sociocultural da região. Em outubro de 2025, o Ibama concedeu autorização exclusiva para pesquisa exploratória em águas profundas, permitindo o início imediato da perfuração. Anteriormente, a Petrobras havia interrompido os trabalhos no poço Morpho após detectar a perda de fluido em duas tubulações de apoio.
Além do petróleo, o governo defende a expansão da Petrobras para a exploração de terras raras, grupo de 17 elementos químicos essenciais para a indústria de defesa, baterias, turbinas e smartphones. O Brasil detém a segunda maior reserva mundial desses minerais, mas ainda busca superar a etapa industrial, atualmente dominada pela China, que processa 90% do material globalmente.
Após visitar o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, em Campinas, o presidente defendeu que a Petrobras se transforme em uma empresa abrangente de energia, acelerando o mapeamento de minerais críticos. Lula manifestou a expectativa de que a disputa tecnológica entre Estados Unidos e China seja substituída por parcerias com o Brasil, reiterando que o país não abrirá mão da soberania sobre suas riquezas minerais. No mesmo contexto, o presidente relacionou a crise global de combustíveis a conflitos no Irã, atribuindo a responsabilidade ao governo de Donald Trump.