Economia

Hanwha Ocean atinge marca de 200 cargueiros de GNL entregues em estaleiro na Coreia do Sul

18 de Maio de 2026 às 12:34

A Hanwha Ocean entregou 200 cargueiros de GNL em seu estaleiro na Coreia do Sul e assinou contratos para construir dois navios de 174 mil metros cúbicos para a Edison e a Knutsen OAS Shipping. As embarcações, com entrega prevista para 2026, utilizarão motores dual-fuel para reduzir emissões de metano

Hanwha Ocean atinge marca de 200 cargueiros de GNL entregues em estaleiro na Coreia do Sul
Cargueiro de gás liquefeito sendo construído no estaleiro de Geoje, na Coreia do Sul, da Hanwha Ocean

A Hanwha Ocean atingiu a marca de 200 cargueiros de gás natural liquefeito (GNL) entregues em seu estaleiro de Geoje, na Coreia do Sul, consolidando uma liderança global que supera concorrentes asiáticos e europeus. O marco coincide com a assinatura de novos contratos com a italiana Edison e a norueguesa Knutsen OAS Shipping para a construção de duas embarcações com capacidade de 174 mil metros cúbicos cada. Com previsão de entrega para 2026 e operação a partir de 2028, os navios terão bandeira norueguesa e atuarão no transporte de gás do Catar e dos Estados Unidos para terminais de regaseificação no Mediterrâneo, especificamente em La Spezia e Piombino.

As novas embarcações serão equipadas com o motor dual-fuel MAN ME-GI Mark 10.5, desenvolvido em parceria entre a Hanwha Engine e a MAN Energy Solutions. A tecnologia foca na redução do "methane slip" (metano residual liberado pelo escape), reduzindo as emissões em até 70% comparado a versões anteriores. Essa inovação técnica responde às pressões regulatórias da Organização Marítima Internacional, especialmente após a vigência do regulamento EEXI em 2023, visando cumprir as metas ambientais de 2030.

A eficiência produtiva da Hanwha Ocean é sustentada por investimentos em robotização de soldagem, digitalização e logística interna, implementados após a aquisição da Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering em 2023 por mais de 2 bilhões de dólares. Essas medidas reduziram em 18% o tempo de entrega de cargueiros padrão e ampliaram as margens operacionais. A planta de Geoje, situada a 400 quilômetros de Seul, opera com oito docas secas e cerca de 30 mil funcionários, mantendo capacidade para construir até 40 navios simultaneamente.

A concentração industrial em torno do estaleiro sul-coreano criou um polo de fornecedores especializados que dificulta a retomada da competitividade em escala por parte de países como Alemanha, Espanha e Itália. Enquanto isso, a Hanwha expande sua atuação para a América do Norte através do estaleiro Hanwha Philly, na Pensilvânia. O projeto prevê a construção do primeiro cargueiro de GNL sob bandeira americana em quase 50 anos, atendendo ao Jones Act, que exige cascos nacionais para a cabotagem interna. A operação, que envolve a Hanwha Shipping, movimenta centenas de milhões de dólares e estimula a indústria siderúrgica de estados como Louisiana e Ohio.

O cenário global de demanda por essas embarcações foi impulsionado desde 2022 pela reorganização das rotas de fornecimento após a invasão da Ucrânia pela Rússia, forçando a Europa a substituir gasodutos por importações via navio. A projeção da Wood Mackenzie indica que a frota mundial de cargueiros de GNL crescerá 38% até 2030, com a entrada de mais de 350 navios. A Coreia do Sul detém mais de 70% desses pedidos, divididos entre Hanwha, HD Hyundai Heavy Industries e Samsung Heavy Industries.

Para o Brasil, que utiliza três terminais de regaseificação (Bahia, Pecém e Baía de Guanabara) e depende totalmente de frotas internacionais, a expansão da oferta global deve reduzir os custos de frete spot. Esse aumento de disponibilidade de gás liquefeito impacta o planejamento estratégico de empresas como Prio, Eneva e Petrobras, especialmente durante períodos de seca, quando as termelétricas do Norte e Nordeste demandam maior despacho de energia.

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