Hanwha Ocean atinge marca de 200 cargueiros de GNL entregues em estaleiro na Coreia do Sul
A Hanwha Ocean entregou 200 cargueiros de GNL em seu estaleiro na Coreia do Sul e assinou contratos para construir dois navios de 174 mil metros cúbicos para a Edison e a Knutsen OAS Shipping. As embarcações, com entrega prevista para 2026, utilizarão motores dual-fuel para reduzir emissões de metano
A Hanwha Ocean atingiu a marca de 200 cargueiros de gás natural liquefeito (GNL) entregues em seu estaleiro de Geoje, na Coreia do Sul, consolidando uma liderança global que supera concorrentes asiáticos e europeus. O marco coincide com a assinatura de novos contratos com a italiana Edison e a norueguesa Knutsen OAS Shipping para a construção de duas embarcações com capacidade de 174 mil metros cúbicos cada. Com previsão de entrega para 2026 e operação a partir de 2028, os navios terão bandeira norueguesa e atuarão no transporte de gás do Catar e dos Estados Unidos para terminais de regaseificação no Mediterrâneo, especificamente em La Spezia e Piombino.
As novas embarcações serão equipadas com o motor dual-fuel MAN ME-GI Mark 10.5, desenvolvido em parceria entre a Hanwha Engine e a MAN Energy Solutions. A tecnologia foca na redução do "methane slip" (metano residual liberado pelo escape), reduzindo as emissões em até 70% comparado a versões anteriores. Essa inovação técnica responde às pressões regulatórias da Organização Marítima Internacional, especialmente após a vigência do regulamento EEXI em 2023, visando cumprir as metas ambientais de 2030.
A eficiência produtiva da Hanwha Ocean é sustentada por investimentos em robotização de soldagem, digitalização e logística interna, implementados após a aquisição da Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering em 2023 por mais de 2 bilhões de dólares. Essas medidas reduziram em 18% o tempo de entrega de cargueiros padrão e ampliaram as margens operacionais. A planta de Geoje, situada a 400 quilômetros de Seul, opera com oito docas secas e cerca de 30 mil funcionários, mantendo capacidade para construir até 40 navios simultaneamente.
A concentração industrial em torno do estaleiro sul-coreano criou um polo de fornecedores especializados que dificulta a retomada da competitividade em escala por parte de países como Alemanha, Espanha e Itália. Enquanto isso, a Hanwha expande sua atuação para a América do Norte através do estaleiro Hanwha Philly, na Pensilvânia. O projeto prevê a construção do primeiro cargueiro de GNL sob bandeira americana em quase 50 anos, atendendo ao Jones Act, que exige cascos nacionais para a cabotagem interna. A operação, que envolve a Hanwha Shipping, movimenta centenas de milhões de dólares e estimula a indústria siderúrgica de estados como Louisiana e Ohio.
O cenário global de demanda por essas embarcações foi impulsionado desde 2022 pela reorganização das rotas de fornecimento após a invasão da Ucrânia pela Rússia, forçando a Europa a substituir gasodutos por importações via navio. A projeção da Wood Mackenzie indica que a frota mundial de cargueiros de GNL crescerá 38% até 2030, com a entrada de mais de 350 navios. A Coreia do Sul detém mais de 70% desses pedidos, divididos entre Hanwha, HD Hyundai Heavy Industries e Samsung Heavy Industries.
Para o Brasil, que utiliza três terminais de regaseificação (Bahia, Pecém e Baía de Guanabara) e depende totalmente de frotas internacionais, a expansão da oferta global deve reduzir os custos de frete spot. Esse aumento de disponibilidade de gás liquefeito impacta o planejamento estratégico de empresas como Prio, Eneva e Petrobras, especialmente durante períodos de seca, quando as termelétricas do Norte e Nordeste demandam maior despacho de energia.