Economia

Movimentação de contêineres no Porto do Pecém cresce 37,5% no primeiro semestre de 2026

18 de Maio de 2026 às 18:10

A movimentação de contêineres no Porto do Pecém cresceu 37,5% no primeiro semestre de 2026, impulsionada por cargas da China. O complexo prevê movimentar mais de 680 mil contêineres no ano e investirá R$ 1,5 bilhão em infraestrutura até 2028

Movimentação de contêineres no Porto do Pecém cresce 37,5% no primeiro semestre de 2026
Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante, salta 37,5% no primeiro semestre de 2026 com rota direta da China

A movimentação de contêineres no Porto do Pecém, em São Gonçalo do Amarante (CE), cresceu 37,5% no primeiro semestre de 2026. O salto é impulsionado por um volume recorde de carga industrial proveniente da China, consolidando a projeção de encerrar o ano com mais de 680 mil contêineres movimentados. Esse desempenho posiciona o complexo cearense entre os cinco maiores portos do Brasil em volume de cargas industriais conteinerizadas.

O crescimento coincide com a implementação de uma rota direta para a China, viabilizada em 2025. Anteriormente, navios de portos como Xangai, Ningbo e Shenzhen precisavam de escalas em Santos ou Itajaí, o que acrescentava até 12 dias ao trajeto. Com a nova logística, o tempo de viagem entre Xangai e Pecém foi reduzido para aproximadamente 38 dias. A mudança permitiu a estruturação de um modelo de retorno carregado: embarcações que descarregam produtos asiáticos agora exportam soja, milho, ferro-ligas e couro processado do Ceará, Piauí e Maranhão. A Secretaria do Desenvolvimento Econômico do Ceará estima que essa rota gere até 600 mil toneladas anuais adicionais de exportações.

Para sustentar a demanda, o complexo atravessa seu maior ciclo de investimentos, com R$ 1,5 bilhão em aportes contratados até 2028. O foco prioritário é a expansão do Terminal de Múltiplas Utilidades (TMUT), com orçamento de R$ 578,6 milhões. O projeto inclui a construção de um novo berço de atracação de 350 metros, ampliação do quebra-mar e uma retroárea de 42 mil metros quadrados, capaz de armazenar 12 mil contêineres simultaneamente. A infraestrutura visa receber navios com calado superior a 17 metros, enquanto a integração com a ferrovia Transnordestina deve otimizar o escoamento para o interior.

A partir de 31 de agosto de 2026, o Pecém será o primeiro porto brasileiro a operar o sistema *shore power* (ou *Cold Ironing*). Com investimento de R$ 13,2 milhões no TMUT, a tecnologia permite que navios desliguem os motores a diesel e se conectem à rede elétrica do porto. A medida antecipa exigências da Organização Marítima Internacional previstas para 2027 na Europa, tornando o terminal mais atrativo para companhias asiáticas e europeias. Além da descarbonização, a adoção do sistema pode reduzir em até 70% as emissões de óxido de enxofre e nitrogênio nas proximidades do berço.

Paralelamente, o porto desenvolve o maior hub de hidrogênio verde do país, com investimentos privados superiores a US$ 15 bilhões de empresas como Linde, Fortescue Future Industries e Casa dos Ventos. A produção comercial, prevista para 2027-2028, terá escala inicial de 800 mil toneladas anuais para exportação. O hub conta com um corredor de utilidades integrando dutos de amônia verde, hidrogênio comprimido e linhas elétricas ligadas a parques eólicos *onshore* e *offshore*. Até 2030, projetos correlatos ao hub verde devem atrair mais R$ 2,5 bilhões, com previsão de criar 6 mil empregos diretos.

Apesar da expansão, o terminal enfrenta a limitação do canal de acesso, atualmente com 17 metros de profundidade. Embora comporte navios Suezmax, a medida é inferior aos 22 metros de portos asiáticos, o que impede a chegada de meganavios de nova geração. Para solucionar o gargalo, o Governo do Ceará estuda uma nova dragagem para ampliar o canal externo para 20 metros, em um projeto estimado em R$ 800 milhões.

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