Economia

Ocupação hoteleira em cidades-sede da Copa nos Estados Unidos fica abaixo de 40%

10 de Junho de 2026 às 09:33

Cidades-sede da Copa nos Estados Unidos, exceto Los Angeles, têm ocupação hoteleira abaixo de 40%. A AHLA aponta que restrições de vistos e políticas imigratórias do governo Trump reduziram a demanda e impediram a entrada de delegações e profissionais. Custos de transporte e ingressos também contribuíram para a queda de visitantes

As 11 cidades-sede da Copa do Mundo nos Estados Unidos registram taxas de ocupação hoteleira inferiores a 40%, com exceção de Los Angeles. O desempenho contrasta com a situação em Vancouver, no Canadá, e Guadalajara, no México, onde a procura por hospedagem atinge 48%. De acordo com a Associação de Hotéis e Hospedagem (AHLA), 80% dos proprietários relataram reservas abaixo das previsões, enquanto 70% atribuem a queda na demanda internacional às preocupações geopolíticas e às restrições de vistos.

O cenário é reflexo de políticas imigratórias do governo Trump, que proibiu a entrada de cidadãos de 39 países e interrompeu a emissão de vistos para 75 nações no início de seu segundo mandato. Essas medidas impactaram diretamente as delegações do torneio: as seleções do Irã e do Haiti estão proibidas de entrar em território americano, e as equipes de Senegal e Costa do Marfim enfrentam restrições parciais. Outras seleções adiaram viagens devido à dificuldade na obtenção de documentos.

A rigidez na fiscalização de aeroportos também afastou turistas e prejudicou profissionais do evento. O árbitro somali Omar Abdulkadir Artan, reconhecido pela Fifa como o melhor da África, foi impedido de atuar na Copa após ser interrogado por 11 horas pela imigração. Já o atacante iraquiano Aymen Hussein permaneceu retido por sete horas no Aeroporto Internacional O’Hare, em Chicago, sob a justificativa de erro de identificação por parte da segurança.

Além das barreiras migratórias, o custo elevado de transportes e os preços dos ingressos contribuíram para a redução do fluxo de visitantes. A Fifa, embora organize a competição, não possui mecanismos para reverter as limitações impostas pelas fronteiras dos Estados Unidos.

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