Petróleo Brent atinge maior valor desde junho devido a instabilidades no Oriente Médio
O petróleo Brent atingiu US$ 95,02 por barril nesta quarta-feira (22), enquanto o WTI chegou a US$ 88,16. A alta reflete conflitos entre Estados Unidos e Irã, além de ameaças a rotas marítimas no Estreito de Ormuz e *Bab el-Mandeb
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/x/J/NG6wxBRUaLjnXzDApA1A/2026-03-18t125756z-1386581843-rc2od1azr1td-rtrmadp-3-markets-dollar.jpg)
O petróleo Brent superou a marca de US$ 95 por barril nesta quarta-feira (22), atingindo o maior valor desde o começo de junho. O movimento de alta foi impulsionado por instabilidades no Oriente Médio, que geram receios sobre a continuidade do fornecimento global da commodity.
Às 6h45 (horário de Brasília), o contrato para entrega em setembro do Brent registrava valorização de 4,4%, cotado a US$ 95,02. No mesmo período, o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, subia 4,5%, chegando a US$ 88,16. Posteriormente, às 8h19, as cotações apresentaram leve recuo, mas mantiveram a tendência de alta: o Brent operava a US$ 94,51 (alta de 3,85%) e o WTI a US$ 87,37 (alta de 3,59%).
Tensões geopolíticas e riscos logísticos
A escalada nos preços reflete o agravamento do conflito entre Washington e Teerã. Forças americanas bombardearam alvos no Irã pela 11ª noite consecutiva, atingindo drones, lançadores de mísseis, sistemas de defesa aérea e centros de comando. Em contrapartida, o Irã atacou bases militares dos EUA localizadas na Jordânia, Kuwait e Bahrein.
A segurança do transporte marítimo tornou-se um ponto crítico com o ataque a um petroleiro no Estreito de Ormuz. Paralelamente, o grupo Houthi, do Iêmen e apoiado pelo Irã, anunciou um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, ameaçando o estreito de Bab el-Mandeb. Esta rota é fundamental para a exportação de petróleo rumo à Europa e Ásia.
O risco de interrupção no fluxo global foi evidenciado na terça-feira (21), quando dois navios com carga saudita destinada ao mercado asiático alteraram suas rotas no Mar Vermelho após ameaças dos Houthis.
Impactos nos mercados financeiros e moedas
A valorização da commodity impulsionou as ações de energia e elevou o índice pan-europeu STOXX 600, que subia cerca de 0,6%. No cenário americano, os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq recuavam 0,2% e 0,6%, respectivamente, antes da divulgação de balanços de companhias como Tesla e Alphabet.
No mercado cambial, o dólar apresentou queda frente a outras moedas. O iene japonês registrou recuperação, reflexo da preocupação de autoridades do Japão com a inflação e a possibilidade de um aumento nas taxas de juros acima do previsto.
Pressão inflacionária e política monetária
O cenário de alta nos combustíveis amplia a pressão sobre a inflação, dificultando a gestão dos bancos centrais. O Banco Central Europeu (BCE) divulga sua decisão de política monetária nesta quinta-feira (23), enquanto o Federal Reserve (Fed), dos EUA, fará o mesmo na próxima semana.
Embora a previsão seja de manutenção dos juros neste mês, o mercado passou a precificar um aumento de 0,25 ponto percentual nas taxas de juros da zona do euro e dos Estados Unidos até o encerramento do ano, como resposta ao risco inflacionário provocado pelo petróleo.