Economia

Presidente do Banco Central sugere redução de prazos de quitação de cartões para conter endividamento

24 de Julho de 2026 às 15:06

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, defendeu a migração gradual do sistema de cartão de crédito brasileiro para modelos globais com prazos de quitação menores. A medida visa reduzir o endividamento, visto que os juros do rotativo chegam a 15% ao mês, superando 400% ao ano

Presidente do Banco Central sugere redução de prazos de quitação de cartões para conter endividamento
Saulo Cruz/Agência Senado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, classificou o sistema de cartão de crédito do Brasil como um modelo único no mundo, comparando-o a uma "jabuticaba". Durante evento em São Paulo, Galípolo defendeu a transição gradual para arranjos de pagamentos semelhantes aos de outras economias, sugerindo a adoção de prazos de quitação reduzidos para conter o endividamento da população.

Descompasso nas taxas de juros

A análise do presidente do BC destacou a baixa sensibilidade dos juros do crédito rotativo em relação à taxa básica da economia. Enquanto a taxa básica, utilizada para o controle da inflação, está fixada em 14,25% ao ano, os juros do rotativo atingem 15% ao mês, o que supera a marca de 400% ao ano. Para Galípolo, esse cenário é reflexo da trajetória histórica brasileira, especialmente do período de hiperinflação.

Dinâmica do crédito no Brasil

O atual modelo de consumo movimenta cerca de 100 milhões de pessoas, divididas em dois perfis distintos:

  • 60 milhões de usuários: utilizam o cartão para compras à vista com pagamento no mês seguinte ou realizam parcelamentos sem a incidência de juros.
  • 40 milhões de usuários: não efetuam a quitação integral do saldo, arcando com a taxa de 15% ao mês.

De acordo com a autoridade monetária, esse grupo que paga os juros elevados acaba por sustentar a estrutura que permite o parcelamento sem custos para os demais consumidores.

Perspectiva de migração

Galípolo afirmou que é pertinente observar as práticas internacionais para migrar para modelos de pagamento globais, desde que a mudança ocorra de forma cautelosa para evitar prejuízos. Ele comparou a atuação da autoridade monetária em termos de estabilidade ao movimento de um transatlântico, em contraposição à agilidade de um jet ski.

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