Economia

Quase metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos está sob a incidência de tarifas

24 de Julho de 2026 às 18:11

Tarifas dos Estados Unidos incidem sobre 47,3% das exportações brasileiras, incluindo sobretaxas recentes de 12,5% e 25% e tributos sobre aço e alumínio. No primeiro semestre de 2026, as vendas do Brasil para o país somaram US$ 17,4 bilhões, queda de 13%. O governo brasileiro pretende acionar a Lei de Reciprocidade e denunciar as medidas à OMC

Quase metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos, totalizando 47,3%, está sob a incidência de tarifas impostas pelo governo norte-americano. O índice reflete a soma de três medidas distintas: a sobretaxa de 12,5% anunciada nesta quinta-feira (23), a taxa de 25% confirmada na semana passada e a tributação sobre o aço e alumínio estabelecida no ano anterior.

Impacto das novas tarifas setoriais

De acordo com levantamentos do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), as medidas recentes — desconsiderando as taxas antigas — atingem 23,1% dos produtos exportados pelo Brasil, enquanto 52,7% do volume total permanece isento de tarifas adicionais específicas.

A distribuição do impacto das novas sobretaxas ocorre da seguinte forma:

  • Surtaxa de 37,5%: Incide sobre 16,5% das exportações, resultado da aplicação cumulativa das taxas de 12,5% e 25%. Estão incluídos neste grupo calçados, móveis, confecções, gorduras, óleos, diversos tipos de madeira, além de máquinas e equipamentos.
  • Surtaxa de 12,5%: Afeta 4,7% das exportações, abrangendo pescados, produtos de perfumaria, óleos essenciais, minérios, gesso e obras de pedra.
  • Surtaxa de 25%: Atinge 1,9% das exportações, com destaque para o açúcar.

Contexto regulatório e siderurgia

A tarifa de 12,5%, vigente desde sexta-feira (24), foi aplicada a cerca de 60 parceiros comerciais, incluindo o Brasil, sob a justificativa de falhas na fiscalização e proibição de mercadorias produzidas via trabalho forçado. Já a taxa de 25% implementada na semana anterior possui uma lista extensa de itens isentos.

No setor de aço e alumínio, a pressão tarifária começou em junho do ano passado, quando a taxa saltou de 25% para 50%, com base na Seção 232. A medida impactou o Brasil, que ocupa a posição de segundo maior fornecedor de aço dos Estados Unidos, além de afetar México e Canadá.

Balança comercial e resposta governamental

O fluxo de comércio entre os dois países registrou retração no primeiro semestre de 2026. As exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 17,4 bilhões, o que representa uma queda de 13% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No mesmo intervalo, as importações de produtos norte-americanos também recuaram 12,8%.

Diante do cenário, o governo brasileiro classificou as medidas como arbitrárias e injustificadas. A resposta imediata será a abertura de processos para acionar a Lei de Reciprocidade e a formalização de uma denúncia junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A Lei de Reciprocidade permite que o Brasil aplique restrições ou tarifas equivalentes às que foram impostas por outra nação. Para a implementação desse mecanismo, é necessário seguir um rito legal que inclui a realização de consultas públicas, a definição de prazos para análise de pleitos e, somente ao final, a sugestão de contramedidas.

Apesar da intenção governamental, entidades empresariais recomendam a manutenção do diálogo e de negociações com a gestão de Donald Trump, visando evitar a escalada de tensões diplomáticas e econômicas.

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