Economia

Tesouro Nacional realiza maior intervenção no mercado financeiro desde a pandemia da covid-19 com R$43,6 bilhões em recompras

18 de Março de 2026 às 09:10

O Tesouro Nacional realizou operações de recompra de títulos públicos nos últimos dois dias, alcançando um volume total de R$43,6 bilhões. A medida visa reduzir a volatilidade na curva de juros afetada pelas incertezas globais e domésticas. As intervenções ocorreram na semana da decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom)

O Tesouro Nacional realizou uma série de operações de recompra de títulos públicos nos últimos dois dias, alcançando um volume total de R$ 43,6 bilhões. Esta é a maior intervenção do tipo em mais de uma década e supera as ações adotadas durante a pandemia da covid-19. A medida visa reduzir a volatilidade na curva de juros, que tem sido afetada pelas incertezas globais e domésticas. O conflito no Irã e o aumento dos preços do petróleo têm impulsionado as taxas de juro recentemente, aumentando o risco inflacionário. A atuação chama atenção por ocorrer na semana da decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom). O Tesouro normalmente evita intervenções nesse período para não influenciar a política monetária. A curva de juros futuros é um importante termômetro para as decisões do Banco Central. As instituições financeiras apresentam uma divisão nas projeções para a reunião desta quarta-feira, com maioria prevendo corte de 0,25 ponto percentual na Selic. No entanto, parte do mercado ainda aposta em redução maior. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa predominante era de um corte de 0,5 ponto. A avaliação técnica é que o Tesouro adotou uma postura mais agressiva para evitar disfunções maiores no mercado futuro. A continuidade das intervenções ainda é incerta e dependerá das condições de mercado. Historicamente, o Tesouro atua por alguns dias consecutivos em momentos de estresse. A possibilidade de greve dos caminhoneiros elevou a percepção de risco no fim do dia, relembrando os impactos econômicos observados em 2018. A taxa de juros para janeiro de 2027 subiu para 14,13% ao ano e o dólar diminuiu seu recuo.
Com informações de Agência Brasil

Notícias Relacionadas