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Copa do Mundo de 2026 terá sistema de inteligência artificial individual para cada seleção

19 de Maio de 2026 às 06:37

A Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, terá 48 seleções e 104 jogos. O torneio implementará o sistema Football AI Pro para análise técnica, tecnologia de impedimento semiautomatizada e réplicas virtuais dos estádios. Veículos autônomos e robôs da Boston Dynamics apoiarão a logística e a segurança do evento

Copa do Mundo de 2026 terá sistema de inteligência artificial individual para cada seleção
Reuters/Brendan McDermid

A Copa do Mundo de 2026, que começa em 11 de junho, contará com 48 seleções e 104 partidas distribuídas por 16 cidades nos Estados Unidos, México e Canadá. O torneio marca a estreia de um sistema de inteligência artificial individual para cada equipe, permitindo a análise de adversários, criação de estratégias e avaliação de desempenho dos atletas.

Desenvolvida pela FIFA em parceria com a Lenovo e anunciada em janeiro, a ferramenta Football AI Pro atua como um assistente de conhecimento baseado em IA generativa. O sistema processa milhões de dados por jogo para entregar conclusões via gráficos, textos, vídeos e visualizações tridimensionais, analisando mais de 2.000 métricas, incluindo pressão sobre o adversário, transições e movimentação sem a bola. O acesso a esses dados, que podem ser consultados antes e depois das partidas, visa democratizar a análise avançada, eliminando a vantagem técnica e econômica que historicamente favorecia as equipes mais ricas.

A tecnologia também redefine a marcação de impedimentos. A Lenovo criará avatares digitais tridimensionais de cada jogador por meio de scanners corporais de um segundo, registrando 29 pontos anatômicos de referência. Esse mapeamento permite que o sistema rastreie a posição exata do atleta mesmo em jogadas rápidas ou com obstruções visuais. A operação é alimentada por 12 câmeras especializadas instaladas nos tetos dos estádios, que emitem alertas automáticos ao vídeoarbitral. A decisão final permanece com o árbitro assistente de vídeo, mas a tecnologia semiautomatizada, já testada na Copa Intercontinental, reduz o tempo de resolução de um impedimento para entre três e quatro segundos, além de integrar modelos 3D ao sinal de televisão.

A infraestrutura das sedes contará com "gêmeos digitais", réplicas virtuais dos estádios atualizadas em tempo real para monitorar a densidade do público, ameaças de segurança e dados biométricos dos jogadores. O volume de informações será massivo: a SanDisk estima a geração de mais de 90 petabytes de dados, 45 vezes superior ao volume da Copa de 2022. Se somados o consumo móvel e as redes sociais, a estimativa do Bank of America é que o total chegue a dois exabytes, o equivalente a 45 mil anos de vídeo em resolução 4K.

A logística externa será suportada por veículos autônomos de sete empresas em dez cidades. A Waymo operará rotas para o público em sete cidades e realizará testes em outras três. A Hyundai implementará robôs da Boston Dynamics, especificamente os modelos Spot e Atlas, para apoio logístico, orientação de torcedores e operações nos estádios americanos, enquanto robôs-cães serão utilizados para vigilância e resposta em instalações no México.

A implementação dessas tecnologias segue tendências de outras modalidades, como a NFL, que utiliza filtragem automatizada de vídeos, e o beisebol, onde o Oakland Ballers usa IA para definições de escalação. No futebol, o HamKam FC, da Noruega, chegou a experimentar a IA na função de treinador principal. O objetivo dessas ferramentas é complementar a liderança e a inspiração humana, transformando os dados em um produto central do evento, onde cada movimento de campo ou da torcida é convertido em informação estruturada em tempo real.

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