Vitória da Espanha na Copa do Mundo gera pedidos de boicote a artistas na Argentina
A vitória da Espanha na Copa do Mundo 2026 gerou boicotes a artistas, reações do governo da Argentina e um projeto de lei para cobrar serviços públicos de estrangeiros. A Fifa investiga conflitos entre as seleções no estádio MetLife e casos de racismo envolvendo torcedores argentinos na Bahia e em Miami
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A vitória da Espanha na final da Copa do Mundo 2026 desencadeou uma série de repercussões que extrapolaram o campo, atingindo celebridades, redes sociais e a esfera política da Argentina. O resultado do jogo foi acompanhado por uma onda de provocações globais, resultando em campanhas de boicote a artistas e reações oficiais do governo argentino.
Repercussões digitais e conflitos com celebridades
Antes e depois da partida, a internet foi inundada por memes que sugeriam um isolamento da seleção argentina, com publicações mostrando a bandeira espanhola cobrindo quase todo o mapa-múndi. No TikTok, vídeos com trilhas sonoras do musical Wicked e insinuações de que a Fifa teria protegido a Argentina durante o torneio circularam amplamente.
A tensão atingiu artistas internacionais que demonstraram apoio aos espanhóis:
- Rosalía: A cantora tornou-se alvo de pedidos de boicote aos seus quatro shows em Buenos Aires, previstos para agosto, após compartilhar um vídeo da influenciadora Mia Khalifa. No vídeo, Khalifa comemorava o título ao som de "La Perla", música que utiliza o termo "pérola" de forma irônica para descrever pessoas tóxicas.
- Lauren Jauregui: A ex-integrante do Fifth Harmony foi criticada após publicar vídeo comemorando um gol da Espanha e provocando Lionel Messi. A artista justificou a torcida com base em suas origens familiares.
- Niall Horan: O cantor irlandês enfrentou reações negativas ao curtir uma postagem que afirmava que as Ilhas Malvinas seriam espanholas. Horan alegou que a interação foi um equívoco e reafirmou seu carinho pelos fãs argentinos.
- Outros nomes: As artistas Halsey, Zara Larsson e Dua Lipa também receberam críticas nas redes sociais por apoiarem a seleção espanhola.
Reação do governo e medidas políticas
O presidente Javier Milei utilizou suas redes sociais para defender o país, afirmando que o mundo veria "até onde pode chegar um país cheio de argentinos". De acordo com informações do jornal Clarín, fontes governamentais interpretam as provocações globais como uma "campanha anti-Argentina".
Milei também republicou conteúdos de Agustín Laje, que vincula a imagem negativa da Argentina no exterior ao kirchnerismo e ao wokismo. Paralelamente, o deputado libertário Agustín Romo apresentou um projeto na Assembleia Legislativa de Buenos Aires que propõe a cobrança de serviços de saúde e ensino superior para estrangeiros que não comprovem residência no país.
Investigações da Fifa e casos de racismo
Fora da política e do entretenimento, a Fifa abriu uma investigação sobre confrontos entre jogadores e comissões técnicas da Argentina e da Espanha no estádio MetLife, durante a comemoração do título espanhol. O Comitê Disciplinar nomeou um procurador de disciplina e ética para analisar as imagens do incidente.
A entidade também apura episódios de racismo envolvendo torcedores argentinos:
- Um caso ocorrido em Morro de São Paulo, na Bahia, onde um turista argentino é acusado de injuriar um homem negro que torcia para a Inglaterra.
- Uma investigação sobre insultos proferidos contra o influenciador IShowSpeed no estádio de Miami, durante a partida entre Argentina e Cabo Verde na segunda fase da competição.