Justiça

Cerca de 68,7 milhões de brasileiros convivem com a atuação de facções criminosas ou milícias

11 de Maio de 2026 às 06:06

Relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indica que 68,7 milhões de brasileiros, ou 41,2% da população com 16 anos ou mais, convivem com facções criminosas ou milícias. O estudo aponta que 61,4% dos entrevistados percebem influência do crime organizado nas regras de convivência locais. A pesquisa foi realizada pelo Datafolha em 137 municípios entre 9 e 10 de março de 2026

Cerca de 68,7 milhões de brasileiros convivem com a atuação de facções criminosas ou milícias em seus bairros. O dado, revelado no domingo (10) pelo relatório "Medo do crime e eleições 2026: os gatilhos da insegurança", do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indica que 41,2% da população com 16 anos ou mais reconhece a presença de grupos organizados em sua vizinhança.

A capilaridade do crime organizado atinge diferentes perfis de cidades. Enquanto nas capitais a percepção é de 55,9%, nos municípios de regiões metropolitanas o índice chega a 46,0%. Mesmo em cidades do interior, 34,1% dos moradores identificam a atuação desses grupos, evidenciando a nacionalização de organizações como o Comando Vermelho e o PCC, que passaram a utilizar o interior do país como espaços de disputa armada e entrepostos logísticos.

Essa expansão resultou no que a diretora-executiva do Fórum Brasileiro da Segurança Pública, Samira Bueno, classifica como governança criminal: a regulação do cotidiano por organizações criminosas. Para 61,4% dos entrevistados — totalizando 42,2 milhões de pessoas —, o crime organizado exerce influência moderada ou forte sobre as regras de convivência e as decisões locais. Esse cenário estabelece um "duopólio de violência", no qual o Estado e o crime coexistem na ordenação da vida diária.

A imposição de uma disciplina social baseada no medo altera a rotina dos cidadãos. O levantamento aponta que 81,0% dos brasileiros temem estar no meio de confrontos armados e 74,9% evitam frequentar locais específicos. Outros indicadores revelam que 71,1% temem o envolvimento de familiares com o tráfico, 65,2% restringem a circulação em certos horários e 64,4% temem represálias ao denunciar crimes. A influência chega a inibir a fala sobre política no bairro para 59,5% dos entrevistados.

A dominação territorial também se manifesta em imposições comerciais. Cerca de 12,5% dos moradores sentem-se obrigados a contratar serviços de TV a cabo ou internet indicados pelo crime, enquanto 9,4% relatam que comércios locais são forçados a vender marcas ou produtos específicos.

A presença de facções eleva a probabilidade de vitimização. Em bairros dominados por esses grupos, o índice de vítimas de violência sobe para 51,1%, superando a média nacional de 40,1%. O aumento é sistemático em diversas categorias: a ocorrência de assassinatos de familiares ou conhecidos passa de 13,1% para 17,6%, e os golpes financeiros digitais saltam de 15,8% para 21,4%. Crimes de rua também registram alta, com o roubo de celulares subindo de 8,3% para 12,1% e o roubo à mão armada crescendo de 3,8% para 6,5%.

O estudo foi realizado pelo Instituto Datafolha entre 9 e 10 de março de 2026, com 2.004 entrevistas em 137 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

Com informações de G1

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