MPRJ Denuncia Dois Policiais Militares pela Suspeita de Crimes Durante Operação Contenção no Rio
O Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou mais dois policiais militares envolvidos em crimes durante operação no Alemão e Penha, totalizando dez acusados. A Operação Contenção resultou na morte de 122 pessoas e foi criticada por desrespeitar recomendações do STF. As denúncias incluem invasões a domicílios e obstrução de câmeras corporais
Operação Contenção: Ministério Público do Rio de Janeiro denuncia mais dois policiais militares envolvidos em crimes durante incursão no Alemão e Penha.
Em uma nova onda de denúncias, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) acusa dez policiais militares da Operação Contenção, realizada nos complexos da Penha e do Alemão em outubro passado. Os agentes são suspeitos de invasões a domicílios e obstrução de câmeras corporais.
A operação contou com 2,5 mil policiais e resultou na morte de 122 pessoas, incluindo cinco agentes. A ação foi criticada por desrespeitar recomendações do Supremo Tribunal Federal (STF) para operações em favelas e não enfraquecer estruturalmente o crime organizado.
De acordo com as denúncias, os policiais circularam pelos cômodos das casas vasculhando objetos e consumindo produtos. Além disso, cinco agentes manipularam câmeras operacionais portáteis de forma inadequada, desrespeitando ordem superior.
A Operação Contenção foi marcada pela alta letalidade e resultou em 113 prisões, sendo 33 de pessoas de fora do Rio. As apreensões somaram 118 armas e uma tonelada de drogas. Moradores da região denunciaram a operação como uma "chacina" e enfileiraram corpos com sinais de execução em um ponto do Alemão.
O governo estadual considerou a operação “um sucesso”, enquanto o governador Cláudio Castro afirmou que as pessoas mortas reagiram e os policiais revidaram em legítima defesa. O caso será julgado pela Auditoria Militar, após oito denúncias de ilegalidade contra 19 policiais militares na Operação Contenção.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) realizou uma audiência sobre a operação e condenou a Contenção por não reduzir a criminalidade, enquanto eleva risco para civis. A entidade já havia emitido recomendação ao Brasil antes da audiência.