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Advogada denuncia falta de transparência do Vaticano em processo contra o padre Marko Rupnik

22 de Julho de 2026 às 18:22

A advogada Laura Sgrò denunciou a falta de transparência do Vaticano no processo contra o padre Marko Rupnik, acusado de violência psicológica e sexual contra ao menos 20 mulheres. A ação canônica, formalizada em abril de 2024, possui cinco juízes nomeados, mas ainda não tem data para iniciar

Advogada denuncia falta de transparência do Vaticano em processo contra o padre Marko Rupnik
Handout / VATICAN MEDIA / AFP

A advogada Laura Sgrò, representante de cinco mulheres, denunciou a falta de transparência do Vaticano no processo judicial contra o padre esloveno Marko Rupnik. O teólogo e artista de mosaicos, de 71 anos, é acusado de cometer violência psicológica e sexual contra ao menos 20 mulheres ao longo de quase três décadas, com foco na comunidade que liderava em Liubliana, capital da Eslovênia.

Andamento do processo canônico

A ação foi formalizada junto à Santa Sé em abril de 2024. O caso já havia sido encerrado em 2022, sob a justificativa de prescrição dos fatos, mas o papa Francisco suspendeu essa decisão no ano seguinte para viabilizar a investigação. Em outubro de 2025, o Vaticano nomeou cinco juízes para o tribunal responsável, porém a data de início dos trabalhos não foi definida.

Sgrò, que representa vítimas da Itália, França, Eslovênia e duas mulheres sob anonimato, afirma que não recebeu qualquer informação oficial nos últimos nove meses, apesar de tentativas de contato via e-mail, telefone e cartas. A advogada ressaltou que, como os fatos já prescreveram na esfera civil, a justiça canônica é a via restante.

Posicionamento da Santa Sé

Diante de especulações em blogs italianos sobre uma suposta absolvição sigilosa do clérigo, o diretor de imprensa do Vaticano, Matteo Bruni, negou a informação, esclarecendo que a avaliação do caso segue em andamento. A instituição justificou a ausência de atualizações públicas para preservar o sigilo do procedimento judicial e evitar prejuízos aos envolvidos.

Impacto no pontificado e críticas ao sistema

O caso Rupnik tornou-se um ponto central de pressão sobre o pontificado de Leão XIV, eleito em maio de 2025. Embora o pontífice tenha se reunido com vítimas de abusos, ainda não implementou medidas estruturais significativas sobre o tema. Questionado em novembro, o papa defendeu a necessidade de respeitar os prazos e direitos de todos os envolvidos, reconhecendo a dificuldade de pedir paciência às vítimas.

A situação expõe falhas nos procedimentos canônicos de violência sexual, que frequentemente mantêm as vítimas afastadas do processo. Mesmo após reformas promovidas por Francisco em 2019, as denunciantes não possuem acesso ao dossiê ou ao acompanhamento detalhado, lacuna já apontada por órgãos como a Ciase (Comissão Independente sobre os Abusos Sexuais na Igreja), na França, em 2021.

Pressão institucional

Em nova tentativa de obter respostas, a defesa enviou uma carta ao cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé. No documento, Sgrò questiona a condução do processo e relata que suas clientes se sentem desamparadas e desprotegidas pelo sistema eclesiástico.

A repercussão do caso deve ganhar novo fôlego em setembro, durante a visita do papa ao santuário de Lourdes. Como resposta ao pedido das denunciantes, o local decidiu ocultar as obras monumentais produzidas por Marko Rupnik.

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