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Austrália implementa tecnologia em rede elétrica para reduzir risco de incêndios florestais em Victoria

19 de Julho de 2026 às 06:19

O governo de Victoria, na Austrália, implementou o programa Powerline Bushfire Safety Program com a instalação de 45 dispositivos REFCL para reduzir riscos de incêndios elétricos. A medida, somada a novas normas de resistência ao fogo em construções, visa evitar tragédias como a de 2009, que causou 173 mortes

Austrália implementa tecnologia em rede elétrica para reduzir risco de incêndios florestais em Victoria
EFE

O estado de Victoria, na Austrália, tornou-se referência global no combate a desastres ambientais após o "Sábado Negro", em 7 de fevereiro de 2009. Naquela data, uma série de incêndios florestais devastou 450 mil hectares, deixou mais de 500 feridos e causou a morte de 173 pessoas. A cidade de Marysville foi o epicentro da tragédia, perdendo 90% de suas edificações e registrando 39 óbitos.

O desastre foi impulsionado por calor extremo, ventos fortes e vegetação seca, mas teve como gatilho crítico falhas na rede elétrica. Em Marysville, por exemplo, um cabo energizado caiu sobre uma cerca de metal, gerando faíscas que inflamaram a vegetação em temperaturas que superaram os 1.000 graus.

Tecnologia de prevenção elétrica

Para evitar a repetição desse cenário, o governo de Victoria implementou o Powerline Bushfire Safety Program (PBSP). A principal inovação é a instalação de REFCL (Rapid Earth Fault Current Limiters), dispositivos de segurança que atuam como interruptores ultrarrápidos.

Esses aparelhos detectam em milissegundos se linhas elétricas entraram em contato com o solo ou árvores. Diferente de um disjuntor comum, o REFCL não interrompe o fornecimento de energia; ele reduz a voltagem para um nível insuficiente para causar combustão e compensa a carga nas linhas operacionais para manter o serviço ativo.

Atualmente, a rede de alta tensão de Victoria conta com 45 desses dispositivos distribuídos por 31 mil quilômetros de linhas nas áreas de maior risco. Os resultados práticos incluem:

  • Redução de até 70% no risco de incêndios causados por falhas elétricas.
  • 33 incêndios catastróficos evitados em um único ano, graças à atuação de 19 interruptores.
  • Ausência de incêndios graves causados pela rede de distribuição desde a implementação do programa.

Devido ao sucesso, a tecnologia australiana está sendo testada para possível exportação de modelo para outras regiões vulneráveis, como a Califórnia.

Urbanismo e resiliência estrutural

Além da rede elétrica, a reconstrução de cidades como Marysville e Kilmore East trouxe mudanças rigorosas no planejamento urbano e na arquitetura. Todas as novas construções ou reformas realizadas após 2009 devem seguir normas de resistência ao fogo, que incluem:

  • Uso de telhados não inflamáveis e fachadas de pedra calária compactada ou concreto.
  • Instalação de vidros e janelas resistentes a altas temperaturas.
  • Criação de sistemas de água, sinalização e acessos facilitados para bombeiros.
  • Implementação de cortafogos, como a plantação estratégica de vegetação não inflamável ou a criação de campos esportivos para isolar as casas da mata.

Lições para o cenário global

A experiência australiana serve de alerta para países que enfrentam crises semelhantes, como a Espanha, onde incêndios recentes em Los Gallardos — que resultaram em 13 mortes e 7 mil hectares queimados — apresentaram causas análogas às de Victoria.

Na Europa, a falta de dados atualizados dificulta a compreensão da escala do problema; registros de uma década atrás apontavam que 1,4% dos incêndios eram originados por cabos e transformadores elétricos.

A análise técnica indica que a crise climática tem prolongado as temporadas de fogo e intensificado a seca, tornando a evacuação precoce e a educação comunitária tão essenciais quanto a infraestrutura tecnológica. A adaptação de normas construtivas e a revisão de pontos vulneráveis em edifícios antigos são apontadas como caminhos necessários para reduzir a letalidade desses eventos.

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