Mundo

Áustria instala delegacia de polícia na casa onde Adolf Hitler nasceu para evitar peregrinações neonazistas

22 de Julho de 2026 às 12:13

Uma nova delegacia de polícia começou a operar nesta quarta-feira (22) em Braunau am Inn, na Áustria, no imóvel onde nasceu Adolf Hitler. A medida do governo local busca evitar que o endereço seja utilizado como ponto de encontro por grupos neonazistas

A cidade de Braunau am Inn, na Áustria, iniciou nesta quarta-feira (22) as operações de uma nova delegacia de polícia instalada na casa onde Adolf Hitler nasceu. A medida do governo local visa neutralizar o local, impedindo que o endereço se torne um ponto de encontro ou destino de peregrinação para grupos neonazistas.

Histórico e conversão do imóvel

A decisão de transformar o edifício ocorreu após anos de discussões sobre a destinação da casa geminada, situada na fronteira com a Alemanha. O imóvel já funcionou como uma instituição de caridade para pessoas com deficiência, atividade encerrada em 2017, quando o governo austríaco realizou a desapropriação da propriedade. Em 2019, foi anunciado que a estrutura passaria por reformas para assumir uma nova função.

A escolha por um uso administrativo, em vez de assistencial, foi recomendada por uma comissão da qual participou o prefeito Johannes Waidbacher. Segundo o gestor, a manutenção de uma entidade beneficente tornaria o prédio excessivamente acessível ao público, o que poderia comprometer o objetivo de evitar aglomerações ideológicas.

Simbolismo e sinalização

Atualmente, a única identificação na fachada do prédio é a palavra Polizei (Polícia). O único elemento de memória histórica preservado é uma pedra na calçada, originária do campo de concentração de Mauthausen, que traz a frase “Fascismo nunca mais”, sem citar nominalmente o ditador.

O esforço para descaracterizar o local combate o antigo culto à personalidade promovido pelo regime nazista, que na época transformou a residência — onde Hitler viveu apenas algumas semanas em 1889 — em um museu de arte.

Reações e contexto político

A iniciativa divide opiniões em Braunau am Inn. Enquanto moradores como o corretor Thomas Spreitz apoiam a medida por acreditar que ela afasta grupos extremistas, outros, como a moradora Irene, de 74 anos, lamentam a saída da instituição de caridade. O Comitê de Mauthausen, grupo de sobreviventes do Holocausto, critica a instalação da delegacia, defendendo que o espaço deveria ser utilizado para evidenciar os crimes cometidos por Hitler.

As autoridades locais relatam que, embora transeuntes ainda parem para fotografar o local, os incidentes envolvendo visitantes diminuíram. A Áustria mantém a proibição rigorosa de símbolos e da saudação nazista.

Historicamente, a Áustria utilizou a narrativa de que foi a primeira vítima do nazismo após a anexação alemã em 1938. Embora o país reconheça hoje a existência de cidadãos austríacos que disseminaram a ideologia, o aprofundamento desse debate ainda é raro.

Notícias Relacionadas