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Câmara dos Estados Unidos aprova orçamento de 480 bilhões de dólares com prioridades de Donald Trump

23 de Julho de 2026 às 07:29

A Câmara dos Estados Unidos aprovou, por 216 votos a 214, um orçamento de US$ 480 bilhões para prioridades do governo Trump. O montante inclui US$ 60 bilhões para o Pentágono e US$ 10 bilhões para o Save America Act. A proposta segue agora para análise do Senado

Câmara dos Estados Unidos aprova orçamento de 480 bilhões de dólares com prioridades de Donald Trump
Kent Nishimura / Reuters

A Câmara dos Estados Unidos aprovou, nesta quarta-feira (22), uma proposta orçamentária de US$ 480 bilhões que reflete as prioridades do governo de Donald Trump. O texto, que contou apenas com o apoio de republicanos, segue agora para o Senado, embora não haja garantias de aprovação naquela casa.

A medida é vista como uma tentativa de viabilizar o financiamento da guerra contra o Irã e outras pautas da Casa Branca, enfrentando forte resistência de democratas e de alas dissidentes do próprio Partido Republicano.

Detalhes do orçamento e prioridades políticas

O pacote financeiro distribui os recursos da seguinte forma:

  • US$ 60 bilhões destinados ao Pentágono;
  • US$ 13 bilhões para demandas de segurança nacional;
  • US$ 12 bilhões para auxílio a agricultores impactados por tarifas impostas por Trump;
  • US$ 10 bilhões para a implementação do Save America Act.

Este último projeto, prioridade do presidente visando as eleições legislativas de novembro, visa restringir o acesso ao voto por meio de exigências de comprovação de cidadania. O objetivo central é assegurar a manutenção do controle republicano na Câmara e no Senado para a segunda metade do mandato.

Impasse militar e pressão financeira

A aprovação ocorre em um cenário de crise no Congresso, que permanece dividido sobre a legalidade e a necessidade de investir bilhões de dólares dos contribuintes no conflito com o Irã. Atualmente, o Legislativo não consegue barrar os ataques militares de Trump, mas também não autorizou formalmente o uso de força.

A urgência financeira foi destacada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, que informou em audiência ao Senado que o Pentágono está com a escassez de recursos, mesmo após ter recebido US$ 150 bilhões no orçamento do ano anterior.

Repercussões e oposição

A votação foi decidida por uma margem estreita, com 216 votos a favor e 214 contra. A oposição foi composta por democratas, um deputado independente e dois republicanos. Os democratas defendem que a verba deveria ser redirecionada para a economia interna, focando na redução de custos para a população.

O desgaste político da estratégia militar é evidenciado por pesquisas da AP-NORC, que indicam a desaprovação da maioria dos americanos em relação à condução do conflito. Esse sentimento é intensificado pelas baixas militares; recentemente, Trump participou do traslado dos corpos de quatro militares mortos no Oriente Médio, evento que tende a reduzir ainda mais o apoio popular à guerra.

A decisão de levar a proposta adiante partiu do presidente da Câmara, Mike Johnson, que considerou a manobra a melhor alternativa para avançar a agenda presidencial em um Congresso fragmentado.

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