China inaugura primeira usina híbrida de energia solar e eólica em área desértica
A China inaugurou no deserto de Tengger a primeira usina híbrida solar e eólica de áreas desérticas, com capacidade de 1 gigawatt. O complexo deve gerar 1,8 bilhão de quilowatts-hora anuais para abastecer 1,5 milhão de residências

A China implementou no deserto de Tengger, localizado na região autônoma de Ningxia Hui, a primeira usina híbrida de energia solar e eólica construída em áreas desérticas do país. Com capacidade instalada de 1 gigawatt (1 milhão de quilowatts), o complexo deve gerar anualmente 1,8 bilhão de quilowatts-hora, volume capaz de suprir cerca de 1,5 milhão de residências. O projeto integra painéis fotovoltaicos e turbinas eólicas para aproveitar a forte incidência solar e os ventos constantes típicos do interior chinês.
A escolha por terrenos áridos fundamenta-se na baixa densidade populacional e na escassez de vegetação, fatores que minimizam conflitos sobre o uso da terra e oferecem vastas áreas planas. Tecnicamente, a radiação solar nessas regiões é mais intensa e estável do que em zonas urbanas ou agrícolas, elevando a eficiência dos equipamentos e o retorno financeiro por metro quadrado.
Além da produção energética, a infraestrutura promove a regeneração ambiental. Os painéis solares criam um microclima ao sombrear o solo e reduzir a evaporação da umidade, o que estimula o crescimento de vegetação rasteira em terrenos anteriormente estéreis. Essa cobertura estabiliza o solo contra a erosão eólica, atuando como uma ferramenta de combate indireto à desertificação.
A usina de Tengger integra um plano estratégico maior, que prevê a instalação de 100 gigawatts de capacidade solar e eólica em regiões áridas de 19 províncias, com foco em Ningxia, Xinjiang e Mongólia Interior. Para viabilizar a operação, o governo chinês investiu aproximadamente 85 bilhões de yuans (12,28 bilhões de dólares) em projetos de energia limpa no deserto de Gobi e em outras áreas da China Central.
Para conectar a produção aos centros de consumo, o país inaugurou o primeiro canal de transmissão de ultra-alta tensão específico para essa finalidade, transportando a eletricidade do norte e centro do país até a província de Hunan. Essa tecnologia de longa distância com baixas perdas é essencial para que a energia produzida em áreas remotas chegue ao coração econômico da nação.
A iniciativa faz parte de um esforço para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e diminuir as emissões de carbono, combinando as renováveis com a expansão da energia nuclear. O ritmo de crescimento é acelerado: no ano anterior ao início da usina de Tengger, a capacidade renovável da China saltou 86,5%, com a adição de 10,4 milhões de quilowatts em energia eólica e 33,6 milhões de quilowatts em solar.
O modelo chinês serve de referência para nações que enfrentam a desertificação e a necessidade de descarbonização, como Austrália, países do Oriente Médio e do Norte da África. No Brasil, a lógica poderia ser aplicada em regiões de semiárido no Nordeste, embora a replicação do sistema dependa de capital, marcos regulatórios e infraestrutura de transmissão de longa distância.