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Cingapura instala sistema de energia solar flutuante para reduzir a dependência de gás importado

18 de Maio de 2026 às 12:34

Cingapura instalou 122 mil painéis solares no reservatório de Tengeh, com capacidade de 60 megawatts-pico para abastecer 16 mil residências e o Porto de Tuas. A infraestrutura de 45 hectares visa reduzir a dependência de gás natural importado e integrar a meta de 2 gigawatts-pico de energia solar até 2030

Cingapura instala sistema de energia solar flutuante para reduzir a dependência de gás importado
Vista aérea da fazenda solar flutuante de Tengeh em Tuas, Cingapura, com 122 mil painéis

Cingapura implementou um sistema de energia solar flutuante no reservatório de Tengeh, localizado no distrito industrial de Tuas, para mitigar a dependência histórica de gás natural importado da Malásia e da Indonésia. A infraestrutura, operada pela Sembcorp Industries, consiste em 122 mil painéis solares distribuídos em dez ilhas fotovoltaicas que cobrem 45 hectares da superfície hídrica. O complexo opera com capacidade de 60 megawatts-pico, volume suficiente para abastecer 16 mil residências e alimentar o bombeamento de água tratada para a região do Porto de Tuas.

A estratégia de instalar painéis sobre a água surge como a principal alternativa viável para a cidade-Estado, que possui apenas 730 quilômetros quadrados de território e alta densidade populacional, limitando a disponibilidade de solo para usinas tradicionais. O projeto de Tengeh integra um plano governamental mais amplo, que visa atingir a marca de 2 gigawatts-pico de energia solar até 2030. Para alcançar esse objetivo, o país precisa expandir sua capacidade em pelo menos 250 megawatts-pico anualmente nos próximos seis anos, partindo dos aproximadamente 750 megawatts-pico instalados em 2024.

Além da geração elétrica, a cobertura dos reservatórios reduz a evaporação da água tratada em cerca de 25%, conforme a agência nacional de águas de Cingapura (PUB), o que diminui a pressão sobre as importações de água da Malásia, regidas por tratado até 2061. Estudos realizados com universidades suíças indicam ainda que a sombra dos painéis reduz a temperatura da água, combatendo a proliferação de algas e melhorando a qualidade do recurso.

No distrito de Tuas, a Sembcorp mantém ainda outra instalação solar de 17,6 megawatts-pico em 10 hectares de terreno temporário. Juntos, os dois sistemas somam mais de 77 megawatts-pico, fornecendo energia para as operações de logística do Porto de Tuas. Este terminal, com investimento previsto de 20 bilhões de dólares ao longo de 25 anos, é um dos maiores projetos portuários do mundo e opera de forma totalmente automatizada, utilizando inteligência artificial e veículos autônomos. A integração de energia limpa tornou-se obrigatória para a infraestrutura crítica do país a partir de 2022.

Tecnicamente, o sistema de Tengeh foi desenvolvido com a agência alemã de pesquisa fotovoltaica, utilizando flutuadores de polietileno de alta densidade e inversores resistentes a calor e umidade. A estrutura foi projetada para suportar chuvas torrenciais e ventos de monção de até 110 quilômetros por hora. O impacto ambiental positivo é mensurado pela anulação de 32 mil toneladas de dióxido de carbono por ano, equivalendo ao plantio de 150 mil árvores nativas.

O Plano Nacional de Energia 2026 prevê a expansão do modelo flutuante para outros reservatórios, a instalação de painéis em fachadas de prédios e a importação de energia solar da Austrália e Indonésia via cabos submarinos. A próxima etapa do governo inclui a implementação de painéis em mar aberto, em parceria com empresas norueguesas.

A tecnologia de Cingapura serve de referência para o Brasil, onde a ANEEL já reconheceu a energia solar flutuante como elegível para leilões a partir de 2026. Empresas como Eletrobras, Cemig e Light avaliaram a viabilidade de projetos similares em reservatórios como o de Furnas, em Minas Gerais, e o de Sobradinho, na Bahia. Apesar do avanço, há alertas sobre a necessidade de mapear melhor os riscos ambientais, especificamente como a redução da luz solar na coluna de água pode afetar microalgas e peixes.

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