Cinquenta mulheres relatam ter sido coagidas por parceiros a ter relações com desconhecidos no Reino Unido
Cinquenta mulheres no Reino Unido relataram ter sido coagidas por parceiros a ter relações sexuais com desconhecidos, muitas vezes via plataforma FabSwingers. O site é citado em 329 registros policiais por crimes como estupro e chantagem, enquanto a agência Ofcom manifestou preocupação com as evidências
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Cinquenta mulheres relataram ter sido coagidas ou pressionadas por seus parceiros a manter relações sexuais com desconhecidos no Reino Unido. Os relatos surgiram após a divulgação da história de Ruth O'Grady, que afirmou ter sido forçada pelo ex-marido a ter sexo com mais de 100 pessoas para agradá-lo. A maioria dos encontros foi viabilizada pelo site FabSwingers, plataforma de troca de casais que registra mais de 500 mil contas ativas mensais no país.
Coerção e abusos na prática do swing
Embora o swing seja geralmente uma atividade consensual, as vítimas descreveram traumas profundos causados por manipulações. Relatos incluem mulheres que participaram de encontros contra a própria vontade por medo de represálias ou para satisfazer os parceiros. Em um dos casos, uma mulher relatou ter sido pressionada a frequentar casas de swing mesmo durante a gravidez, chegando a ter relações com entre 20 e 30 homens ao longo de anos.
A gravidade dos abusos envolve crimes sexuais e violações de privacidade:
- Seis mulheres relataram ter sido estupradas por homens conhecidos via plataforma.
- Dezesseis mulheres afirmaram que fotos íntimas foram publicadas no site sem autorização.
- Casos de hotwifing (quando o parceiro assiste à relação da mulher com outro) foram citados como parte de processos de destruição psicológica e dependência de antidepressivos.
Falhas na segurança e moderação da plataforma
O FabSwingers é acusado de facilitar abusos e negligenciar a interrupção de práticas ilegais. A plataforma não exige a verificação de identidade dos usuários, o que dificulta a identificação de criminosos pela polícia e permite que usuários banidos criem novas contas.
Embora a empresa alegue utilizar inteligência artificial, controles automatizados e cinco administradores para moderação, três ex-moderadores revelaram que não receberam treinamento. Dois deles trabalhavam apenas em troca de acesso gratuito ao serviço, enquanto um terceiro era voluntário.
Resposta institucional e jurídica
Desde 2023, o site foi citado em pelo menos 329 registros policiais no Reino Unido, abrangendo crimes como estupro, chantagem, perseguição, assédio e posse de pornografia extrema.
A parlamentar Jess Phillips, ex-ministra responsável por políticas de combate à violência contra mulheres, defende o fechamento do site. Para ela, a pressão para participar de swing deve ser reconhecida como exploração sexual de adultos, argumentando que o termo "swing" mascara a falta de consentimento e silencia as vítimas.
Dificuldades no sistema policial
Vítimas relataram problemas na condução de investigações. Uma mulher de 21 anos teve seu caso arquivado após policiais alegarem que ela "parecia estar gostando" dos atos em vídeos, ignorando que a aparência de entusiasmo era uma exigência do agressor para evitar punições.
Nicole Jacobs, comissária para violência doméstica na Inglaterra e no País de Gales, destacou a necessidade de maior treinamento policial para identificar o controle coercitivo como parte da violência doméstica. O Conselho Nacional de Chefes de Polícia (NPCC) afirmou que as vítimas devem receber apoio consistente.
Implicações legais e regulatórias
De acordo com a Online Safety Act (Lei de Segurança Online), plataformas devem remover conteúdos ilegais e reduzir riscos de danos, como o controle coercitivo. No entanto, nove usuários afirmam que denúncias de abuso feitas ao FabSwingers foram ignoradas, e três mulheres alegam que a empresa não colaborou com a polícia.
A agência reguladora Ofcom declarou estar "extremamente preocupada" com as evidências e mantém contato com o responsável pelo site, embora ainda não tenha aberto uma investigação formal. O FabSwingers, por sua vez, nega a indiferença ao uso indevido da plataforma e afirma que condutas privadas entre adultos fora do site não são de sua responsabilidade.