Donald Trump registra a pior aprovação aos 100 dias de governo dos últimos 80 anos
Donald Trump registra 63% de desaprovação nos Estados Unidos, a pior marca para um presidente em 100 dias de governo nos últimos 80 anos. A queda de popularidade, motivada por crises econômicas e diplomáticas, eleva para mais de 70% a chance de os democratas retomarem a Câmara nas eleições de novembro
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2026/r/T/od5Y3pTIGoH0nTGDSV3g/afp-20260515-b2zd834-v1-highres-uspresidentdonaldtrumpreturnsfromchina.jpg)
Donald Trump enfrenta um cenário de forte rejeição nos Estados Unidos, com índices de desaprovação que superam os 60% há quase dois meses. De acordo com levantamentos da Reuters e do instituto Ipsos, o presidente é reprovado por 63% dos norte-americanos, conforme dados de 11 de maio, com uma margem de erro de três pontos percentuais. Esse quadro reflete a pior aprovação aos 100 dias de governo registrada por qualquer presidente americano nos últimos 80 anos, segundo pesquisa encomendada pelo The Washington Post e pela ABC.
A queda de popularidade está diretamente ligada a pautas econômicas e crises diplomáticas. A reprovação começou a subir após a implementação de tarifas contra diversos países em abril de 2025. Somam-se a isso o desgaste causado por controvérsias sobre os arquivos de Jeffrey Epstein e mortes de cidadãos americanos em ações antimigratórias. Contudo, o fator determinante foi a ofensiva contra o Irã em fevereiro, que elevou o preço do barril de petróleo e dos combustíveis.
A economia, que foi a base da vitória de Trump em 2024 sob a promessa de "America First", tornou-se seu ponto fraco. Em abril, a aprovação do presidente na gestão econômica atingiu a mínima histórica de 27%, índice inferior ao pior momento de Joe Biden, que registrou 32% em três ocasiões entre 2023 e 2024. Atualmente, 64% da população desaprova a condução econômica do governo.
Esse cenário impacta diretamente as perspectivas para as eleições legislativas de 3 de novembro, as Midterms, que renovarão a Câmara dos Representantes e um terço do Senado. Embora os republicanos controlem ambas as casas por uma margem estreita, projeções da plataforma Race to the WH indicam que os democratas têm mais de 70% de chance de retomar a Câmara. O Senado, por outro lado, deve continuar sob controle republicano.
A tendência de avanço da oposição já é visível em pleitos recentes. Em novembro de 2025, os democratas venceram eleições locais, incluindo a prefeitura de Nova York com Zohran Mamdani, mesmo com a interferência direta de Trump na disputa. Além disso, candidatos democratas apresentaram um desempenho médio cinco pontos superior ao registrado no pleito presidencial de 2024. Para tentar conter a crise, Trump tem pressionado estados conservadores a redesenhar mapas eleitorais para favorecer candidatos de sua legenda.
No plano internacional, a agenda intervencionista de Trump — que inclui a captura de Nicolás Maduro na Venezuela e ameaças de anexação do Canadá e da Groenlândia — gera repercussões globais. Na Itália, a primeira-ministra Giorgia Meloni sofreu desgaste político interno e foi derrotada em um referendo sobre reforma judicial após sua proximidade com o republicano. Meloni chegou a criticar Trump em abril, após embates do presidente com o papa Leão XIV, e negou o uso de bases aéreas na Sicília para ataques ao Irã.
O conflito com Teerã provocou a interrupção do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, por onde passa 20% da produção mundial, encarecendo a energia globalmente. No Brasil, embora haja autossuficiência em petróleo, a dependência de derivados fez com que a inflação de abril fosse a maior para o mês em quatro anos. Especialistas indicam que as turbulências internacionais e a volatilidade dos preços dos combustíveis podem influenciar as eleições brasileiras deste ano.