Espanha declara emergência nacional após incêndios florestais atingirem a região de Madri
A Espanha declarou emergência nacional por incêndios que consumiram 120 km² entre Madri e Ávila, forçando a evacuação de milhares de pessoas. Na França, chamas no sudoeste destruíram 53 casas e levaram 67 mil moradores a deixarem a região. A União Europeia mobilizou aeronaves de diversos países para apoiar o combate ao fogo
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A Espanha declarou emergência nacional devido a incêndios florestais que atingiram o centro do país, com destaque para um foco nos arredores de Madri classificado pelas autoridades como "fora de capacidade de extinção" nesta sexta-feira (24). O cenário é agravado por uma onda de calor com temperaturas que devem superar os 39 ºC.
Crise em Madri e Ávila
Na região de Madri, dois focos de incêndio se fundiram, consumindo 30 quilômetros quadrados até a tarde de sexta-feira. A presidente regional, Isabel Díaz-Ayuso, definiu o evento como o pior da história da localidade. A situação forçou a evacuação de 25 mil pessoas em cidades a oeste da capital, enquanto outras 20 mil receberam ordens para permanecerem em suas residências.
O governo central, representado por Francisco Martín, indicou que novas evacuações podem ser necessárias. A prioridade atual das equipes de resgate é a proteção de San Lorenzo, onde está localizado o Escorial, palácio e mosteiro real do século XVI.
Além da capital, a província de Ávila registrou a queima de 90 quilômetros quadrados, resultando na fuga de 1.500 pessoas. Sobre as causas, a Guarda Civil prendeu um homem e investiga outro suspeito de operar maquinário pesado em área proibida, o que teria gerado a faísca que iniciou o fogo na quinta-feira.
Impacto em infraestruturas e evacuações
A magnitude das chamas impactou centros de pesquisa internacional. Complexos da Nasa, em Robledo de Chavela, e da Agência Espacial Europeia, em Cebreros, precisaram ser totalmente esvaziados.
Incêndios na França
Simultaneamente, o sudoeste da França enfrenta chamas sem precedentes, especialmente na península de Cap Ferret, a 60 quilômetros de Bordeaux. O incêndio, que começou na quarta-feira, já consumiu 125 quilômetros quadrados, destruindo 53 casas e um acampamento.
A gravidade da situação levou cerca de 1.500 pessoas a fugirem por mar em direção à cidade de Arcachon, utilizando desde táxis aquáticos até embarcações maiores. No total, 67 mil moradores deixaram a região após novas ordens de evacuação ao sul. Desse total, 44 mil pessoas foram retiradas de Gironde e 23 mil de Landes.
Mobilização e Apoio Internacional
Somando os dois países, 92 mil pessoas precisaram de abrigos. Embora dezenas de bombeiros tenham ficado feridos — incluindo 42 no departamento de Gironde —, não houve registro de mortes.
O presidente francês, Emmanuel Macron, mobilizou as Forças Armadas e confirmou o recebimento de reforços da União Europeia, que incluem:
- Aeronaves Canadair da Croácia;
- Aeronaves Air Tractor de Portugal;
- Helicópteros Black Hawk da República Tcheca e Eslováquia.
Na Espanha, o ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, informou que a Itália e a Grécia enviaram dois aviões Canadair cada. Na França, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu presidirá uma reunião de crise no sábado (25) para coordenar as ações de combate ao fogo, cujas causas são consideradas acidentais pelas autoridades.