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Estados Unidos condenam decisão de Daniel Ortega de extinguir as eleições presidenciais na Nicarágua

21 de Julho de 2026 às 13:12

O governo dos Estados Unidos condenou a decisão do presidente Daniel Ortega de extinguir as eleições presidenciais na Nicarágua. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a medida viola o direito do povo nicaraguense de escolher seus governantes

O governo dos Estados Unidos condenou a decisão do presidente Daniel Ortega de extinguir as eleições presidenciais na Nicarágua. Em comunicado oficial, o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que a medida ignora o consentimento popular e viola o direito do povo nicaraguense de escolher seus próprios governantes por meio de processos democráticos. Rubio classificou a postura de Ortega e de sua esposa, Rosario Murillo, como a exposição de uma natureza autoritária.

Consolidação do regime autocrata

A determinação de que o país não realizará novos pleitos presidenciais ocorre enquanto Ortega permanece no poder há quase duas décadas. O líder, que comandou um grupo revolucionário na derrubada de uma ditadura em 1979 e foi eleito presidente em 2007, implementou sucessivas medidas autocratas ao longo de sua gestão.

A última votação realizada, em 2021, foi marcada por contestações devido à criminalização da dissidência e à prisão de líderes empresariais e opositores. Recentemente, o presidente promoveu reformas constitucionais que estenderam o mandato presidencial para seis anos e nomearam Rosario Murillo como "copresidente". Atualmente, o casal exerce controle total sobre o Judiciário e as Forças Armadas.

Impactos políticos e reações internacionais

A proibição de novas eleições, embora sem detalhes de implementação, elimina a possibilidade de contestação sucessória quando o mandato atual terminar, no próximo ano. Para Tiziano Breda, da organização Armed Conflict Location & Event Data, a estratégia substitui a realização de eleições fraudulentas pela eliminação total da competição, consolidando uma ditadura familiar.

O opositor Felix Maradiaga, que foi preso entre 2021 e 2023 antes de ser deportado para os EUA, interpretou a fala de Ortega como uma confissão de medo diante de possíveis movimentos de oposição. Salvador Marenco, do Coletivo de Direitos Humanos Nicarágua Nunca Mais, reforça que a criação de um sistema de partido único visa evitar o risco de uma derrota eleitoral, dado que os líderes da oposição foram exilados.

Histórico de repressão e sanções

A trajetória recente de Ortega é marcada por graves violações de direitos humanos, com o Conselho de Direitos Humanos da ONU classificando a Nicarágua como um Estado autoritário. Em 2018, a repressão a protestos contra o governo resultou em mais de 300 mortes.

Devido a esse cenário, o governo de Donald Trump impôs sanções a mais de 2.350 autoridades e familiares ligados ao regime. No âmbito global, o instituto V-DEM, da Universidade de Gotemburgo, posiciona Ortega em um dos últimos lugares de seu ranking de autocracias eleitorais.

Em sua primeira aparição pública em dois meses, Ortega declarou que a época em que partidos apoiados pelos Estados Unidos ou somocistas retornavam ao poder chegou ao fim.

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